Monday, October 13, 2008

E o Estado mínimo?

Os liberais sempre foram avessos à intervenção do Estado na economia: iniciativa privada, regresso às funções do Estado definidas por Hobbes, etc., etc., etc. Em suma, o famoso Estado mínimo em contraponto com o Estado social que, em rigor, nunca existiu em Portugal (eu, pela minha parte, defenderia um Estado nulo, num feliz registo anárquico). Mas agora esses mesmos liberais, como é o caso do vice-presidente do PSD, aplaudem a medida do ministro Teixeira dos Santos, que acaba de anunciar 20 mil milhões de euros em garantias às operações de financiamento das instituições financeiras.

O ministro das finanças diz: «Se, por acaso, houver um incumprimento [por parte de algum banco que tenha contraído crédito de outra instituição], o Estado chama a si essa responsabilidade». (citação retirada do Sol). Ou seja, durante os últimos anos, para manter o funcionamento de uma economia baseada na irresponsável e laxista cultura de endividamento dos portugueses, os bancos tiveram de recorrer sistematicamente a financiamentos da banca internacional e, agora, como se não bastasse, os portugueses contraem, no fundo, outro crédito, que é o do Estado estar a impedir com os seus impostos a derrocada do sistema financeiro. Talvez o mereçam. Mas não é isso que está em causa. É, isso sim, a coerência da direita que, em boa verdade, nunca existiu.

A falta de coerência traduz-se, claro está, em oportunismo. E as seguintes palavras de Tony Iltis só vêm reforçar essa convicção:

"However, the failure of this expensive government intervention to halt the global collapse of sharemarkets — and remove the spectre of a massive downturn in production, fuelling unemployment and poverty — reflects that the old orthodoxy has not, in fact, been overturned. The thrust of the “emergency” economic interventions has been to pump money into the finance industry in the hope that this will encourage the banks to restart the flow of credit to productive industry. The “hidden hand of the market” still reigns".

Thursday, October 09, 2008

Dr.

Tirando a noite em que o gozo foi à minha pala, devido aos meus excessos no 13 e perguntas sobre "família", pouco mais sabia do meu colega Dr. que as conversas de circunstância nessa noite e noutro jantar, mais as duas ou três diligências que efectuamos em Portimão.
Soube agora que após dois anos nesta terra, Setúbal foi o teu destino e Almada o da música, como frontman dos Dr. Estranho Amor.
Considerações à parte em termos musicais, aqui fica a minha pequena homenagem ao Proc. Luís - O porreiro.
Parabéns pela banda, pelo sucesso e pelo quarto que vem a caminho. Abraço e aparece!

Monday, October 06, 2008

Olé! Olé! Olé!

A propósito... era uma vez um Português na cena do apedrejamento quando lhe dizem... quem nunca falhou que atire! O Tuga manda logo uma certeira na cabeça e responde: a esta distância nunca falho!

Saturday, October 04, 2008

Thursday, October 02, 2008

Sunday, September 28, 2008

Saturday, September 20, 2008

França - Alemanha

1982
Música: Arca´

Friday, September 19, 2008

Monday, September 15, 2008

Porque sim

Nem de pantufas evitava uma boa récita de oximoros. Quando ficava calado, perguntavam-lhe: "O que se passa"? E, ele, prontamente respondia: "É esta tristeza feliz que não me larga". Envolto pela penumbra, pegou na arma e chorou. Ao sinal do disparo não evitou contudo um sorriso. Só ele percebeu o oximoro que é a ligação entre a vida e a morte e, talvez por isso, só tenha tido direito à exéquia de uma flor. Da mulher que o amou e nunca o quis.

Sunday, August 31, 2008

Jealous Enemies - Dark Captain Light Captain

Provas empírcas

Descobri esta banda britânica, por um acaso que já não me recordo, e decidi partilhar. A sonoridade é aberta, fresca, algo melancólica, é certo, e dá vontade de ouvir. São os Dark Captain Light Captain e não me foram, certamente, impostos pela Radar, aquela que ao lado da Antena 2 é uma menina virgem em termos de pedantismo. Também não sei se consta na playslist da dita, o que, pelos meus cálculos, e segundo palavras do gajo que escreveu o post anterior a este, faria com que a minha quota musical proveniente daquele ninho de pseudo-intelectuais aumentasse para os 40 por cento. Ou seja, fica aqui mais do que provado que esse grande projecto do dono da Música no Coração é totalmente incompatível com as paredes da minha casa.

Friday, August 29, 2008

32 anos e 4 meses, uma conclusão

O homem é, genuinamente, um ser estúpido.

Wednesday, August 27, 2008

Tuesday, August 26, 2008

Momento "Xis"

You're probably right, seen from your side, that I've been lucky.
But I've been meaning to crack all week.
Yes I've been involved, it never resolved into anything shocking.
Pain's playing yoyo in my body as we speak.

And now I found something to look for, but I can't decide,
'cause I might find that to stroll behind is better than to score.
Just like I did before.
(Tom Barman/dEUS)
(Todos temos direito aos nossos momentos "Laurinda Alves". Invoco esse direito para escrever "ando a sentir-me assim". A modos que a precisar de uma Instant Street)

Thursday, August 21, 2008

Raiva contra as máquinas

Fazemos o que nos dizem para fazer. Ouvimos o lema, abanamos a cabeça, ritmada, numa espécie de compasso militar. Sentimos a raiva, sentimos a fúria e sonhamos. Achamos que sim, que isto tem de acabar. De facto, fazemos o que nos dizem para fazer. Eles gritam isso, eles abrem-nos os olhos para isso e nós concordamos que é isso que acontece. E que não pode acontecer mais.

Crescemos com essa ânsia de revolução entalada cá dentro. Fode-te, não farei o que me dizes. Repetem e repetem. Em crescendo. Fode-te, não farei o que me dizes. Percebemos o apelo. Revoltem-se, mandem-nos foder, não façam o que eles dizem. Eles gritam e nós gritamos. O compasso militar anarquiza-se e nós vamos atrás dele. Revolução, revolução, não faremos o que nos dizem, puta que vos pariu.

Depois calam-se. Acaba. Os palhaços e o circo. Eles metem a guitarra no saco e vão embora. Nós também. Sem quitarra, ao longo da vida, vamos metendo no saco aquilo que está mais à mão. A revolta, os gritos, a crença, o sonho instantâneo que nos serviram. Tudo. Custa, mas acabamos por perceber que a revolução não é coisa de ir ao micro-ondas.

Aceito que crescer também seja um pouco isso. Mas às vezes sinto que preferia mesmo ter 17 anos. Come on! Solo de guitarra. Fode-te, não farei o que me dizes. Convenhamos, tinha muito mais piada.

Monday, August 18, 2008

Frases míticas


"Scolari exultava e até o bigode de Murtosa parecia mais resplandecente do que nunca".




Alexandre Albuquerque, jornalista da RTP, a propósito da goleada do Chelsea sobre o Portsmouth.

Saturday, August 16, 2008

Um reparo

No meu último post, como referência, surgiram apenas os pós-modernos com óculos de massa que, para citar Bourdieu, têm como habitus a reprodução de um gosto, de um estilo, de uma tendência ou qualquer coisinha mais que eles queiram. Com isto o sociólogo francês quis provar que a estética, desmistificando a teoria de kant, não tem nada a ver com o génio individual de um artista em particular, mas com uma construção social que cria um determinado estatuto a quem dela se apropria. Mas, para o caso, e como estamos a falar da Radar, até é um desperdício estar a evocar um dos nomes cimeiros da intelectualidade francesa do último século, pois o que eu queria mesmo referir, e peço desculpa aos pós-modernos com óculos de massa, é que a tal lista também contempla jovenzinhas depressivas, sensíveis e, que na sua deriva neurótica, cortam superficialmente os pulsos para chamarem a atenção de meio mundo. Basta pegar no caso de Damien Rice e percebemos que essas jovenzinhas também estão na rota dessa grande rádio que, em Portugal, dita todas as grandes tendências. Posto isto, voltarei a uma análise da Radar em ocasião oportuna.

Radar uma merda de rádio

ANTÓNIO VARIAÇÕESA NAIFAART BRUTANABELA DUARTEACID HOUSE KINGSANTONY & THE JOHNSONSTHE ARCHIE BRONSON OUTFITAIR TRAFFICTHE AVALANCHESA CERTAIN RATIOAT THE DRIVE-INADULT.AUDIOSLAVETHE ARCADE FIREALICE IN CHAINSALBERT HAMMOND JR.THE AFGHAN WHIGSAQUALUNGAMBULANCE LTDAMY WINEHOUSEA HAWK AND A HACKSAWANIMAL COLLECTIVEANDREW BIRDAIMEE MANNARCTIC MONKEYSARAB STRAPARTHUR RUSSELLASHARCHITECTURE IN HELSINKITHE ANGELS OF LIGHTA PERFECT CIRCLEANNIEAIRAPHEX TWINAND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEADBEN FOLDSBRAZILIAN GIRLSBRYAN FERRYBAND OF HORSESBRIAN ENOBAUHAUSBLACK DICEBJORKBRIGHT EYESBRIAN WILSONBALLABADLY DRAWN BOYBARRY ADAMSONTHE BEESBRAKESBABY DEEBRITISH SEA POWERBATTLEBOBBY CONNBEIRUTBELL ORCHESTREBENJAMIN BIOLAYTHE BLACK KEYSTHE BLOOD ARMBE YOUR OWN PETTHE BLOWBONNIE "PRINCE" BILLYBEN LEEBEN KWELLERBROKEN SOCIAL SCENEBLOC PARTYTHE BEATLESBAT FOR LASHESBATTLESBLONDE REDHEADBLOOD RED SHOESBLACK KIDSBLONDIETHE BOOKHOUSE BOYSBRETT DENNENBOB DYLANBEASTIE BOYSBURAKA SOM SISTEMABLACK REBEL MOTORCYCLE CLUBBOY KILL BOYTHE BRAVERYBLURTHE BIRD AND THE BEEBECKBEN HARPERBYPASSBUNNYRANCHBETH ORTONBELLE & SEBASTIANBUILT TO SPILLBRUCE SPRINGSTEENBROADCASTTHE B-52'STHE BRIAN JONESTOWN MASSACREBRADBLIND ZEROBLACKALICIOUSBABYSHAMBLESCAMERA OBSCURACLINICCHARLOTTE GAINSBOURGCOOL HIPNOISETHE CHARLATANSCANSEI DE SER SEXYTHE CURECOLD WAR KIDSCORTNEY TIDWELLTHE CORALCLAP YOUR HANDS SAY YEAHCHIN UP CHIN UPCAVEIRACASSIUSTHE CARDIGANSCLÃCARLA BRUNITHE CLIENTELECHROMATICSTHE CRAMPSCODY CHESTNUTTCOLDPLAYTHE CLOUD ROOMCHEMICAL BROTHERSCHRIS GARNEAUTHE CLASHCOCTEAU TWINSTHE CONCRETESCAKECUT COPYCHRIS CORNELLCAT POWERCHICKS ON SPEEDCHROMEOCALVIN HARRISCORNELIUSCOCONUT RECORDSCOCO ROSIECEXCARIBOUCALEXICOCORNELIUSCIBELLEDATAROCKDANIEL JOHNSTONdEUSDEPECHE MODEDESTROYERDEVENDRA BANHARTDIGITALISMTHE DUB PISTOLSTHE DEAD 60'STHE DUKE SPIRITDENGUE FEVERDIVISION DAYDJ SHADOWTHE DATSUNSTHE DUB PISTOLSDIRTY PRETTY THINGSDEVASTATIONSDEERHOOFDEFTONESDAVID FONSECADAMIEN RICETHE DEARSDA WEASELDEATH CAB FOR CUTIEDAVID BYRNEDEAD COMBODAVID PAJODURAN DURANDINOSAUR JR.DAFT PUNKDELIA GONZALEZ & GAVIN RUSSOMDAVID SYLVIANDIRECTORTHE DANDY WARHOLSDIGITALISMDEVOTCHKATHE DECEMBERISTSDAVID BOWIEDOVESDIZZEE RASCALTHE DIVINE COMEDYELVIS COSTELLOEINSTÜRZENDE NEUBAUTENEDANELLEN ALLIENELECTRELANEEXPLOSIONS IN THE SKYELLIOTT SMITHEDWYN COLLINSELBOWESGEVERYTHING BUT THE GIRLEELSEDITORSED HARCOURTEL PERRO DEL MAREASY ALL STARSECHO & THE BUNNYMENEDITH FROSTEMILY HAINES & THE SOFT SKELETONFEROMONAFRANK BLACKFARIS NOURALAHFRENCH KICKSFIONA APPLETHE FALLFEISTFANTOMASFUJIYA & MIYAGITHE FUTUREHEADSFIONN REGANFOUR TETFINAL FANTASYTHE FRATELLISFOO FIGHTERSFRANZ FERDINANDFINKTHE FIERY FURNACESFRIENDLY FIRESTHE FLAMING LIPSFISCHERSPOONERTHE GO! TEAMGOOD SHOESTHE GOTHIC ARCHIESGOMEZGIANT SANDTHE GOSSIPGOLDFRAPPGNARLS BARKLEYG. LOVE AND SPECIAL SAUCEGANG OF FOURGIRLS AGAINST BOYSGRIZZLY BEARGRANT LEE PHILIPSGRAND NATIONALTHE GO-BETWEENSGNRGRAHAM COXONGLASS CANDYGRAVENHURSTGORILLAZTHE GIFTGUIDED BY VOICESGHOSTLAND OBSERVATORYGUILLEMOTSGRANDADDYTHE GOOD, THE BAD & THE QUEENHERMAN DUNEHOT CHIPHEY WILLPOWERHARD-FIHOLY FUCKHOT HOT HEATTHE HIVESTHE HOURLY RADIOTHE HOLD STEADYTHE HOURSTHE HEAVYI LOVE YOU BUT I'VE CHOSEN DARKNESSISOLÉEIVY LEAGUETHE ISLESISLANDSIDLEWILDIRVINGIRON & WINEIAN BROWNINTERPOLiLiKETRAiNSISOBEL CAMPBELLIGGY POPINFADELSJOHNNY CASHJANE'S ADDICTIONJUNIOR BOYSJARVIS COCKERJETJOHNNY BOYJACK JOHNSONTHE JON SPENCER BLUES EXPLOSIONJOSEPH ARTHURTHE JUAN MACLEANJOHNATHAN RICEJEFF BUCKLEYJUSTICEJORGE PALMAJAMIE LIDELLTHE JESUS AND MARY CHAINJIMI HENDRIXJOY DIVISIONJIM O'ROURKEJOANNA NEWSOMJOAN AS POLICE WOMANJAY-JAY JOHANSONJ.P. SIMÕESJOSH ROUSEJOHN CALEJOSÉ GONZALEZJOHN BUTLER TRIOJENS LEKMANJONI MITCHELLJUNIOR SENIORJIM NOIRJOSH HADENJENNY LEWISTHE KOOKSKANYE WESTKLIMAKINGS OF LEONKING BISCUIT TIMETHE KILLSKLAXONSTHE KNIFETHE KILLERSKUDUKYUSSKRAFTWERKKEREN ANNTHE KBCKAISER CHIEFSKASABIANKHONNORKOOPKEVIN BLECHDOMKELLEY POLARKEANEKATE BUSHKINGS OF CONVENIENCETHE KINKSK-OSKID 606KAADALARRIKIN LOVETHE LEGENDARY TIGERMANLAURA LOPEZ CASTROLOVE IS ALLLEVYLAMBCHOPLOOSERSTHE LEGENDSLED ZEPPELINLAURIE ANDERSONLCD SOUNDSYSTEMLIGHTNING BOLTLEONARD COHENLA LA LA RESSONANCELONEY, DEARLE TIGRELIARSLADYTRONLALI PUNALOU REEDLINDA MARTINILONGWAVETHE LONGCUTLILY ALLENLISA GERMANOTHE LONG BLONDESLOUIS XIVLOS CAMPESINOSLOWLANSING DREIDENLOS SUPER ELEGANTESLA ROCCATHE LEMONHEADSMY MORNING JACKETMETRICM83MESAMICHAEL FRANTI AND SPEARHEADM WARDTHE MAGNETIC FIELDSMANEL CRUZMICRO AUDIO WAVESMUSEMICAH P. 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Esta é uma lista da Radar, onde certamente o bom gosto prevalece, urbana, disruptiva e feita à medida de gajos com óculos de massa pós-modernos. Nesta triagem do bom gosto é sintomática a presença dos Xutos & Pontapés, dos The Vicious Five, para que conste uma bela merda de banda, da Tori Amos, dos Underworld, dos Muse, do Sam The Kid, uma excrescência musical aplaudida desde o gueto até aos meninos ipod, dos Scissor Sisters, dos Red Hot Chili Peppers, outra grande merda de banda, Mercury Rev, um autêntico vómito sonoro. Mas para que a coisa fique com uns laivos mais pseudo, nada como incluir o francês Sylvain Chauveau sem qualquer referência que seja a Arca, a banda da qual o homem é mentor e, por sinal, 200 vezes mais interessante do que muitas das que constam aqui. O mais fatal é incluir Philip Glass nesta lista. Já agora a questão: se está Glass, por que não Reich ou Adams? Serão menos minimalistas que o Glass ou menos stupid trendy?

Neste Verão... a boa da cerveja...

Thursday, August 14, 2008

Iyer

Não terá certamente o estilo de "doutorado em literatura vietnamita", mas os grandes músicos não precisam deste ou daquele estilo. Tocam e acabou.

Monday, August 11, 2008

Saturday, August 02, 2008

...

Perguntaram-lhe porque é que só escrevia sobre a morte. Não soube responder. Hesitou em falar da vontade de desistir, de deixar de estar, deixar de ser. Mas antecipou a pergunta seguinte, o eterno porquê?, sempre o porquê, o porquê a que não sabia dar resposta. Porque sim, foda-se!, simplesmente porque sim. Guardou as dúvidas e as respostas que não saberia dar, levantou-se e foi-se embora. O corpo foi encontrado seis dias depois.

Monday, July 21, 2008

Wednesday, July 16, 2008

Sunday, July 13, 2008

A T-Shirt

Heróis: Robert De Niro (Raging bull), Edward Norton (American history X / Fight club, Marlon Brando (Streetcar named desire), Ike Turner e Gustavo Arsénio.

Friday, July 11, 2008

Epilepsia musical

O título deste álbum diz tudo. Antes, quando se colocava a questão de qual dos sentidos preferia perder, a minha resposta era sempre audição. E visão? Sempre senti mais com os ouvidos que com os olhos... Agora, após esta recente descoberta (e não me refiro ao álbum dos Talking heads), o pior seria sofrer dum síndrome neurológico raro que provoca ataques epilépticos induzidos por música. Musicolepsia? De todas as lepsias ultrapassou a narco e mais uma vez não me estou a referir a quaquer estupefaciente.

Tudo isto para vos falar de Oliver Sacks e do seu livro Musicophilia ou o Homem que confudiu a sua esposa por um chapéu, que acredito que quando os ler será música para os meus ouvidos.
Deixo aqui um parágrafo sobre uma destas vertentes epilépticas que, acredito, será de interesse para o cabeçudo deste blog.

"One more interesting story is that of Shostakovich, a composer, who was found to have a metallic splinter in his head which pressed against his temporal lobe when he tilted his head to one side. He would hear melodies which were different each time which he would then incorporate into his compositions."

Monday, July 07, 2008

Sunday, July 06, 2008

Cair


Tell me how you seek your man
And tell me all your secret spells
Tell me how you learn
To tell by his voice that he fell
I know a ghost will walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall

Try to re-imagine me
And I’ll re-invent myself
Still I remember scenes
Of when you looked at someone else
I know a ghost can walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall

If you start doubting me
Then I start to doubt myself
And never look through me
Cause I’ll keep close to myself
I know a ghost can walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall

I am what I am
And what I am is who I am
I know what I know
And all I know is that I fell
If only I could walk through the wall
Then maybe I would tell you who I was
Yet I am just a man still learning how to fall

Sunday, June 29, 2008

Sempre pelos melhores motivos

Ele já foi o vereador a agredir o deputado municipal, ele já foi a Madeleine McCann, cujos pais arranjaram entretanto uma agência de comunicação para lhes cuidar da imagem, o que lhes valeu algumas manchetes de jornal - desta feita como pessoas muito sentimentais e que choram. E agora é isto. Mas os tristes do costume, como a senhora governadora civil de Faro e o senhor presidente do município foram para a televisão, com o ar penoso que lhes é habitual, afiançar que aquela zona é problemática e que há quem, por vezes, num acto de pura de auto-recriação, se divirta a dar uns tiros para o ar. (consta que há muitos melros na zona) É triste, mas enfim...isto já vem desde o 25 de Abril e, por mais que doa, não há forma de mudar.

Um olhar brasileiro sobre Foucault

"VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!"

Saturday, June 28, 2008

Monday, June 16, 2008

Raphus Cucullatus

Provenientes das Maurícias, este espécime tornou-se presa fácil à mercê dos humanos devido ao facto de não os recearem e serem aves não-voadoras. Assim, foram extintos pelos primeiros colonos da ilha... os Portugueses!
Baptizados pelos mesmos devido ao seu ar desajeitado, os "doudos", ou seja, "doidos" não tiveram qualquer hipótese.
Aqui na Marquise dá-se nova oportunidade a dois doidos onde se vislumbra o gosto por animais colectivos seja pelas batucadas quase tribais ou pela inserção de gritos.
Embora longe do toque de insanidade dos donos da patente... uma agradável surpresa vinda dos lados da cerejeira...

The dodos - Fools

Sunday, June 15, 2008

Grouper aka Liz Harris

Um contributo do António Granado para este blogue: "Vale a pena passar pelo my space e ouvir esta voz. Vale mesmo a pena, muito, muitíssimo".

Obrigado, António!

Desabafo

«De pouco fizeram um. Na sombra de tudo o que lhes acontecia à volta.
Sorriram-se. Abrigaram-se. Porque sim, porque isto, porque aquilo. Nos momentos em que nada fazia sentido, paravam, viravam-se e deixavam-se prolongar na brevidade. Construíam-se. Devagar. De pouco em pouco.»


Tobhias Kuügner, in "Salsemos em dia de festa"

Friday, June 13, 2008

Detalhes

I wish I could eat the salt off of your lost faded lips

Achado

Friday, June 06, 2008

1º Tributo Trissómico ao Tributo a Terceiro

Basta uma música destacar-se para a Trissomia atribuir-lhe um prémio em forma de post. Anteriormente apenas me recordo dos Dead Combo e Fleetwood Mac (caso queiram corrigir-me sugiro que releiam este blog por inteiro que eu não estou para isso).

Assim, para o terceiro prémio musical, do agora chamado Tributo Trissómico ao Tributo a Terceiro (porque se adequa melhor à música em questão). Melhor, trata-se de uma dupla homenagem, uma vez que Zeca Afonso também interpretou o tema e a par de Adriano Correia de Oliveira, era considerado das maiores vozes do canto de intervenção e da balada.

Posto isto... E o prémio vai para:


Shahryar Mazgani - Balada da esperança

"I'm mad as hell, and I'm not going to take this anymore!"

Network -1976
(Sidney Lumet/Paddy Chayefsky/William Holden)

Thursday, May 29, 2008

Chop chop

"Nunca deixem a verdade dar cabo duma boa história..."

Wednesday, May 28, 2008

Ela e ele

Ouço o duo She & him. Volume 01. Ela "Zooey Deschanel". Ele "M. Ward". Ela é daquelas actrizes fofas, tão fofa que perguntei a Ele porque se atrelou a Ela e à última moda do vira e canta actriz. Cicatriz.
Não sei se isto será a versão Texana do Duo Ele e ela. Mas dispensava-se o ajuntamento...
É que Ela até sabe cantar mas também pensa que sabe escrever.
O que me lixa é estragar a minha bela ideia de tudo o que ouvi do M. até hoje. E quando ouço na minha cabecinha tantas, mas tantas vozes, esquizo, esquisitas e mais adequadas à sua rouquidão e aos seus arranjos... Não entendo... Juro que não entendo... e não espero Volume 02. Laurinda.

Saturday, May 24, 2008

Lump Sum



Aprendi nos últimos anos a apreciar o que melhor se faz em matéria de folk. Bon Iver está lá, muito lá, ou não tivesse um homem com o nome de Justin Vernon superado todas as minhas expectativas.

Perdoem-me a futilidade, mas o álbum é lindo ao ponto de me levar às lágrimas (For Emma, forvever ago).

Esta nota já vem tarde, pois o álbum é de 2007. Contudo não podia deixar de expressar a minha admiração por uma obra de arte que classificaria de dissipatória em relação a todas as angústias - as minhas, entenda-se. Ainda para mais, toda ela é caseira, sem estúdios e grandes produções. Para finalizar, devo admitir que gosto deste rosto deprimido. Em territórios tão artificialmente alegres, como aqueles nos quais nos movemos hoje, - em que as pessoas só se aproximam de outras igualmente felizes no sentido mais estúpido e boçal do termo, porque, como dizem, a vida já é muito carregada pelo negrume da responsabilidade (azar o vosso, não se endividassem com o LCD coberto pelo microcrédito) - é bom saber que ainda existe com quem "dialogar" sem o receio de admitir que a tristeza ainda é, para que conste, uma das mais ricas e complexas emoções humanas. (Nota: espero que esta última frase não tenha soado muito a Laurinda Alves, pois agradeço que não me conotem a essa senhora)

Monday, May 19, 2008

Mara Carfagna

Devido à falta de análise à política nacional, viremo-nos para Itália, nomeadamente à nomeação da sua nova Ministra da Família. É que só perderia tempo com escritos sobre a corrida à liderança do PPD para referir que a Manuela Ferreira Leite com esta roupagem tinha a presidência no papo.
Por falar em cair no goto. É desta estranha forma que Silvio Berlusconi demonstra a sua maneira de governar… Depois de cortejar Mara Carfagna, o que complicou o casamento lá em casa com a Maria, resolveu torná-la ministra de todas as famílias italianas. Por outro lado, mostra aos nossos vizinhos espanhóis que não vai em números e aposta na qualidade da constituição do seu governo. Com ou sem ajuda do psiquiatra...

Saturday, May 17, 2008

Justice ao Jorinhs

Aos que criticam a preguiça que frequentemente se instala neste blog, deixo o convite para que leiam as últimas duas páginas da edição de ontem do "Ipsilon".

Talvez assim percebam que, se é verdade que somos adeptos da bela arte de coçar a micose, também temos a virtude de antecipar alguns debates interessantes sobre aquilo que nos rodeia.

No caso em apreço, justiça seja feita ao Jorinhs: tirou a mão do escroto em momento oportuno, identificando sabiamente uma polémica que se avizinhava.

Feito este reparo, volto a hibernar. Até Julho, rapazes.

Thursday, May 15, 2008

Preguicite aguda

A Trissomia, no entender deste 1/3, teve o melhor elogio que alguém podia fazer a esta pandilha. Fomos agradavelmente vilipendiados por escrevermos ao ritmo do Cossery! Maravilha! Além de nos considerarem mestres do escárnio, somos igualmente um meio do prazer e da preguiça.
Comparativamente aos seus quase sessenta anos de carreira literária em que publicou oito livros ao ritmo de uma frase por dia, tentei igualar tal proeza. Mas postar uma diatribe por dia tornou-se um desejo ao nível daqueles que faço (quando faço) no ano novo.

O comodismo evidenciado por todos os Mandriões deste Vale Virtual não merece um empolgante ensaio sobre a famosa preguiça Cosseriana como concepção filosófica. No entanto, acho que merece um olhar atento à forma como alguns dos nossos leitores, ávidos de novidades, esmorecem ao depararem-se com a ausência quando nos visitam. Nada mais simples de explicar. Nós também fazemos a apologia do ócio para assim melhor saborear a vida e nela reconhecer os fluídos mais prazenteiros (há quem dê em maricas, vicie-se em joguinhs de computador ou vá para a droga). A nós dá-nos pra isto - postar verborreias que julgamos serem de serviço à comunidade e são, mas só quando para aí estamos virados, o que não acontece por normalmente encontrar-me em posições oblíquas.
Mas a lição de Cossery assim como a nossa é a da coerência, além da qualidade intelectual indiscutível de ambos, sem ups & downs, à semelhança de Eça, não se vislumbra neste blog frase, expressão, palavra ou vírgula a mais. Tudo nele é essencial... não se trata, pois, de preguiça. É tempo de reflexão.

Wednesday, May 07, 2008

Justicication

Postei não por gostar da realidade que era mostrada mas pela forma realista como a mostrava...

Tuesday, May 06, 2008

Se eu te der uma bofetada sou um artista?

O que esperamos da arte? Emoção. Em traços gerais, a experiência estética, a relação com o objecto dito artístico, tem por finalidade o despertar de uma qualquer emoção. De uma forma redutora, os extremos que balizam essa nossa percepção da arte podem ser catalogados nas suas formas positiva (satisfação total) ou negativa (rejeição absoluta). No ponto central deste espectro de sensações estará - numa dimensão que anula o próprio pressuposto da experiência estética - a indiferença. É, digamos, o ponto neutro da nossa relação com a arte, que pode ser motivado por factores tão simples como, por exemplo, a banalidade e irrelevância do que nos é dado a experimentar ou a nossa incapacidade de apreender o que é comunicado, seja na forma de música, de filme ou de pintura.
Serve esta pequena refelexão para introduzir o motivo que me fez quebrar o silêncio que tem pautado a minha colaboração neste blog. Um pretexto simples: o vídeo que foi publicado imediatamente antes deste "post".
Primeiro ponto: não nego o principal (único?) mérito do vídeo, que é o de fugir à indiferença. Estamos perante um daqueles casos em que o visionamento da obra nos confronta com a obrigatoriedade de formular uma opinião. Embora não estejamos perante algo de visionário ou absolutamente novo (o universo contextual "La Haine" e o registo de filmagem "Smack My Bitch Up" são influências/colagens demasiado evidentes) é virtualmente impossível contactar este vídeo sem achar que é "bom", "mau", "odioso", "interessante", "fixe" ou "vomitável".
A mim, por exemplo, esta suposta peça de arte provocou-me de imediato uma sensação de repulsa completa. E "obrigou-me" a escrever isto
De forma resumida, acho que é um exercício absolutamente lamentável. Uma apologia barata da violência, sem qualquer justificação plausível por parte do artista que concebeu a ideia ou dos artistas que a aprovaram. E não, não se trata de adoptar uma posição de Velho do Restelo ou de condenação à influência perniciosa que estes exercícios podem ter nas crianças que os vêem. Trata-se mais depressa de sugerir aos estilistas desta obra que, por exemplo, filmem as respectivas avós de pernas abertas enquanto um maçarico lhes queima os lábios das respectivas vaginas. Também é forte, também dá polémica, também causa emoção. E introduz, face a este vídeo, o "plus" de ser, enquanto filme, algo de conceptualmente novo.
Há dias, numa daquelas conversas em que bebemos todas as palavras dos ensinamentos que nos são dados gratuitamente, um certo sujeito despertou-me o cérebro para a luta da criatividade contra a dimensão do banal. E entre os inúmeros exemplos que foram colocados em cima da mesa, um destacou-se: a necessidade de conhecer as regras para poder quebrá-las. Sem conhecer as regras, sem poder quebrá-las, não se cria nada de novo. Repete-se.
Ao ver este vídeo essas palavras vieram-me à cabeça. Porque o vídeo, embora envolto na presunção de que se estão a quebrar convenções sociais, num embrulho de rebeldia, contestação e ruptura, não passa disso mesmo: repetição. O que este vídeo pretende é assumir-se como monumento de uma geração incompreendida e fodida pelo meio socio-económico envolvente. Mas o que ele faz é baralhar e dar de novo. Baralhar e dar de novo. A violência pode incomodar, pode ser visualmente poderosa, mas não mascara a falta de ideias. No limite, pode permitir baralhar e dar de novo.
Deduzo, aliás, que a ideia que atravessou toda a cadeia de produção deste vídeo se tenha traduzido por uma excitação do género "pá, que cena radical que estamos a fazer... isto vai ser censurado pela MTV e vai dar polémica, pá". Acredito genuinamente que tenha sido esse o mote de toda a produção. O que, convenhamos, é pouco. E é triste. Quando um canal anestesiante de massas como a MTV, absolutamente inócuo em termos de criatividade, se impõe como regra a quebrar, acho que fica tudo dito. Ou visto.
E o que eu vejo aqui é uma tentativa falhada de "partir a louça". É como, por exemplo, ir caçar faisão com uma metralhadora. Ou seja, provavelmente abatemos o bicho, mas depois não podemos comê-lo. Este vídeo é um pouco isso. Violência gratuita. Rebeldia sem causa. Estupidez.

Justice - Stress (Romain Gravas)

Passem ao nível seguinte...