Monday, October 13, 2008
E o Estado mínimo?
O ministro das finanças diz: «Se, por acaso, houver um incumprimento [por parte de algum banco que tenha contraído crédito de outra instituição], o Estado chama a si essa responsabilidade». (citação retirada do Sol). Ou seja, durante os últimos anos, para manter o funcionamento de uma economia baseada na irresponsável e laxista cultura de endividamento dos portugueses, os bancos tiveram de recorrer sistematicamente a financiamentos da banca internacional e, agora, como se não bastasse, os portugueses contraem, no fundo, outro crédito, que é o do Estado estar a impedir com os seus impostos a derrocada do sistema financeiro. Talvez o mereçam. Mas não é isso que está em causa. É, isso sim, a coerência da direita que, em boa verdade, nunca existiu.
A falta de coerência traduz-se, claro está, em oportunismo. E as seguintes palavras de Tony Iltis só vêm reforçar essa convicção:
"However, the failure of this expensive government intervention to halt the global collapse of sharemarkets — and remove the spectre of a massive downturn in production, fuelling unemployment and poverty — reflects that the old orthodoxy has not, in fact, been overturned. The thrust of the “emergency” economic interventions has been to pump money into the finance industry in the hope that this will encourage the banks to restart the flow of credit to productive industry. The “hidden hand of the market” still reigns".
Thursday, October 09, 2008
Dr.
Tirando a noite em que o gozo foi à minha pala, devido aos meus excessos no 13 e perguntas sobre "família", pouco mais sabia do meu colega Dr. que as conversas de circunstância nessa noite e noutro jantar, mais as duas ou três diligências que efectuamos em Portimão.Monday, October 06, 2008
Olé! Olé! Olé!
A propósito... era uma vez um Português na cena do apedrejamento quando lhe dizem... quem nunca falhou que atire! O Tuga manda logo uma certeira na cabeça e responde: a esta distância nunca falho!
Saturday, October 04, 2008
Thursday, October 02, 2008
Sunday, September 28, 2008
Saturday, September 20, 2008
Friday, September 19, 2008
Monday, September 15, 2008
Porque sim
Sunday, August 31, 2008
Provas empírcas
Descobri esta banda britânica, por um acaso que já não me recordo, e decidi partilhar. A sonoridade é aberta, fresca, algo melancólica, é certo, e dá vontade de ouvir. São os Dark Captain Light Captain e não me foram, certamente, impostos pela Radar, aquela que ao lado da Antena 2 é uma menina virgem em termos de pedantismo. Também não sei se consta na playslist da dita, o que, pelos meus cálculos, e segundo palavras do gajo que escreveu o post anterior a este, faria com que a minha quota musical proveniente daquele ninho de pseudo-intelectuais aumentasse para os 40 por cento. Ou seja, fica aqui mais do que provado que esse grande projecto do dono da Música no Coração é totalmente incompatível com as paredes da minha casa.
Friday, August 29, 2008
Wednesday, August 27, 2008
Tuesday, August 26, 2008
Momento "Xis"
But I've been meaning to crack all week.
Yes I've been involved, it never resolved into anything shocking.
Pain's playing yoyo in my body as we speak.
And now I found something to look for, but I can't decide,
'cause I might find that to stroll behind is better than to score.
Just like I did before.
Thursday, August 21, 2008
Raiva contra as máquinas
Crescemos com essa ânsia de revolução entalada cá dentro. Fode-te, não farei o que me dizes. Repetem e repetem. Em crescendo. Fode-te, não farei o que me dizes. Percebemos o apelo. Revoltem-se, mandem-nos foder, não façam o que eles dizem. Eles gritam e nós gritamos. O compasso militar anarquiza-se e nós vamos atrás dele. Revolução, revolução, não faremos o que nos dizem, puta que vos pariu.
Depois calam-se. Acaba. Os palhaços e o circo. Eles metem a guitarra no saco e vão embora. Nós também. Sem quitarra, ao longo da vida, vamos metendo no saco aquilo que está mais à mão. A revolta, os gritos, a crença, o sonho instantâneo que nos serviram. Tudo. Custa, mas acabamos por perceber que a revolução não é coisa de ir ao micro-ondas.
Aceito que crescer também seja um pouco isso. Mas às vezes sinto que preferia mesmo ter 17 anos. Come on! Solo de guitarra. Fode-te, não farei o que me dizes. Convenhamos, tinha muito mais piada.
Monday, August 18, 2008
Frases míticas
Saturday, August 16, 2008
Um reparo
Radar uma merda de rádio
Esta é uma lista da Radar, onde certamente o bom gosto prevalece, urbana, disruptiva e feita à medida de gajos com óculos de massa pós-modernos. Nesta triagem do bom gosto é sintomática a presença dos Xutos & Pontapés, dos The Vicious Five, para que conste uma bela merda de banda, da Tori Amos, dos Underworld, dos Muse, do Sam The Kid, uma excrescência musical aplaudida desde o gueto até aos meninos ipod, dos Scissor Sisters, dos Red Hot Chili Peppers, outra grande merda de banda, Mercury Rev, um autêntico vómito sonoro. Mas para que a coisa fique com uns laivos mais pseudo, nada como incluir o francês Sylvain Chauveau sem qualquer referência que seja a Arca, a banda da qual o homem é mentor e, por sinal, 200 vezes mais interessante do que muitas das que constam aqui. O mais fatal é incluir Philip Glass nesta lista. Já agora a questão: se está Glass, por que não Reich ou Adams? Serão menos minimalistas que o Glass ou menos stupid trendy?
Thursday, August 14, 2008
Iyer
Não terá certamente o estilo de "doutorado em literatura vietnamita", mas os grandes músicos não precisam deste ou daquele estilo. Tocam e acabou. Monday, August 11, 2008
Saturday, August 02, 2008
...
Monday, July 21, 2008
Wednesday, July 16, 2008
Sunday, July 13, 2008
Friday, July 11, 2008
Epilepsia musical
O título deste álbum diz tudo. Antes, quando se colocava a questão de qual dos sentidos preferia perder, a minha resposta era sempre audição. E visão? Sempre senti mais com os ouvidos que com os olhos... Agora, após esta recente descoberta (e não me refiro ao álbum dos Talking heads), o pior seria sofrer dum síndrome neurológico raro que provoca ataques epilépticos induzidos por música. Musicolepsia? De todas as lepsias ultrapassou a narco e mais uma vez não me estou a referir a quaquer estupefaciente."One more interesting story is that of Shostakovich, a composer, who was found to have a metallic splinter in his head which pressed against his temporal lobe when he tilted his head to one side. He would hear melodies which were different each time which he would then incorporate into his compositions."

Monday, July 07, 2008
Sunday, July 06, 2008
Cair

And tell me all your secret spells
Tell me how you learn
To tell by his voice that he fell
I know a ghost will walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall
Try to re-imagine me
And I’ll re-invent myself
Still I remember scenes
Of when you looked at someone else
I know a ghost can walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall
If you start doubting me
Then I start to doubt myself
And never look through me
Cause I’ll keep close to myself
I know a ghost can walk through the wall
Yet I am just a man still learning how to fall
I am what I am
And what I am is who I am
I know what I know
And all I know is that I fell
If only I could walk through the wall
Then maybe I would tell you who I was
Yet I am just a man still learning how to fall
Sunday, June 29, 2008
Sempre pelos melhores motivos
Um olhar brasileiro sobre Foucault
Saturday, June 28, 2008
Monday, June 16, 2008
Raphus Cucullatus
Provenientes das Maurícias, este espécime tornou-se presa fácil à mercê dos humanos devido ao facto de não os recearem e serem aves não-voadoras. Assim, foram extintos pelos primeiros colonos da ilha... os Portugueses!Sunday, June 15, 2008
Grouper aka Liz Harris
Desabafo
Sorriram-se. Abrigaram-se. Porque sim, porque isto, porque aquilo. Nos momentos em que nada fazia sentido, paravam, viravam-se e deixavam-se prolongar na brevidade. Construíam-se. Devagar. De pouco em pouco.»
Friday, June 13, 2008
Friday, June 06, 2008
1º Tributo Trissómico ao Tributo a Terceiro
Basta uma música destacar-se para a Trissomia atribuir-lhe um prémio em forma de post. Anteriormente apenas me recordo dos Dead Combo e Fleetwood Mac (caso queiram corrigir-me sugiro que releiam este blog por inteiro que eu não estou para isso).Thursday, May 29, 2008
Wednesday, May 28, 2008
Ela e ele
Ouço o duo She & him. Volume 01. Ela "Zooey Deschanel". Ele "M. Ward". Ela é daquelas actrizes fofas, tão fofa que perguntei a Ele porque se atrelou a Ela e à última moda do vira e canta actriz. Cicatriz.Saturday, May 24, 2008
Lump Sum

Aprendi nos últimos anos a apreciar o que melhor se faz em matéria de folk. Bon Iver está lá, muito lá, ou não tivesse um homem com o nome de Justin Vernon superado todas as minhas expectativas.
Perdoem-me a futilidade, mas o álbum é lindo ao ponto de me levar às lágrimas (For Emma, forvever ago).
Esta nota já vem tarde, pois o álbum é de 2007. Contudo não podia deixar de expressar a minha admiração por uma obra de arte que classificaria de dissipatória em relação a todas as angústias - as minhas, entenda-se. Ainda para mais, toda ela é caseira, sem estúdios e grandes produções. Para finalizar, devo admitir que gosto deste rosto deprimido. Em territórios tão artificialmente alegres, como aqueles nos quais nos movemos hoje, - em que as pessoas só se aproximam de outras igualmente felizes no sentido mais estúpido e boçal do termo, porque, como dizem, a vida já é muito carregada pelo negrume da responsabilidade (azar o vosso, não se endividassem com o LCD coberto pelo microcrédito) - é bom saber que ainda existe com quem "dialogar" sem o receio de admitir que a tristeza ainda é, para que conste, uma das mais ricas e complexas emoções humanas. (Nota: espero que esta última frase não tenha soado muito a Laurinda Alves, pois agradeço que não me conotem a essa senhora)
Monday, May 19, 2008
Mara Carfagna
Devido à falta de análise à política nacional, viremo-nos para Itália, nomeadamente à nomeação da sua nova Ministra da Família. É que só perderia tempo com escritos sobre a corrida à liderança do PPD para referir que a Manuela Ferreira Leite com esta roupagem tinha a presidência no papo.Saturday, May 17, 2008
Justice ao Jorinhs
Talvez assim percebam que, se é verdade que somos adeptos da bela arte de coçar a micose, também temos a virtude de antecipar alguns debates interessantes sobre aquilo que nos rodeia.
No caso em apreço, justiça seja feita ao Jorinhs: tirou a mão do escroto em momento oportuno, identificando sabiamente uma polémica que se avizinhava.
Feito este reparo, volto a hibernar. Até Julho, rapazes.
Thursday, May 15, 2008
Preguicite aguda
A Trissomia, no entender deste 1/3, teve o melhor elogio que alguém podia fazer a esta pandilha. Fomos agradavelmente vilipendiados por escrevermos ao ritmo do Cossery! Maravilha! Além de nos considerarem mestres do escárnio, somos igualmente um meio do prazer e da preguiça.Comparativamente aos seus quase sessenta anos de carreira literária em que publicou oito livros ao ritmo de uma frase por dia, tentei igualar tal proeza. Mas postar uma diatribe por dia tornou-se um desejo ao nível daqueles que faço (quando faço) no ano novo.
Wednesday, May 07, 2008
Justicication
Tuesday, May 06, 2008
Se eu te der uma bofetada sou um artista?
Serve esta pequena refelexão para introduzir o motivo que me fez quebrar o silêncio que tem pautado a minha colaboração neste blog. Um pretexto simples: o vídeo que foi publicado imediatamente antes deste "post".
Primeiro ponto: não nego o principal (único?) mérito do vídeo, que é o de fugir à indiferença. Estamos perante um daqueles casos em que o visionamento da obra nos confronta com a obrigatoriedade de formular uma opinião. Embora não estejamos perante algo de visionário ou absolutamente novo (o universo contextual "La Haine" e o registo de filmagem "Smack My Bitch Up" são influências/colagens demasiado evidentes) é virtualmente impossível contactar este vídeo sem achar que é "bom", "mau", "odioso", "interessante", "fixe" ou "vomitável".
A mim, por exemplo, esta suposta peça de arte provocou-me de imediato uma sensação de repulsa completa. E "obrigou-me" a escrever isto
De forma resumida, acho que é um exercício absolutamente lamentável. Uma apologia barata da violência, sem qualquer justificação plausível por parte do artista que concebeu a ideia ou dos artistas que a aprovaram. E não, não se trata de adoptar uma posição de Velho do Restelo ou de condenação à influência perniciosa que estes exercícios podem ter nas crianças que os vêem. Trata-se mais depressa de sugerir aos estilistas desta obra que, por exemplo, filmem as respectivas avós de pernas abertas enquanto um maçarico lhes queima os lábios das respectivas vaginas. Também é forte, também dá polémica, também causa emoção. E introduz, face a este vídeo, o "plus" de ser, enquanto filme, algo de conceptualmente novo.
Há dias, numa daquelas conversas em que bebemos todas as palavras dos ensinamentos que nos são dados gratuitamente, um certo sujeito despertou-me o cérebro para a luta da criatividade contra a dimensão do banal. E entre os inúmeros exemplos que foram colocados em cima da mesa, um destacou-se: a necessidade de conhecer as regras para poder quebrá-las. Sem conhecer as regras, sem poder quebrá-las, não se cria nada de novo. Repete-se.
Ao ver este vídeo essas palavras vieram-me à cabeça. Porque o vídeo, embora envolto na presunção de que se estão a quebrar convenções sociais, num embrulho de rebeldia, contestação e ruptura, não passa disso mesmo: repetição. O que este vídeo pretende é assumir-se como monumento de uma geração incompreendida e fodida pelo meio socio-económico envolvente. Mas o que ele faz é baralhar e dar de novo. Baralhar e dar de novo. A violência pode incomodar, pode ser visualmente poderosa, mas não mascara a falta de ideias. No limite, pode permitir baralhar e dar de novo.
Deduzo, aliás, que a ideia que atravessou toda a cadeia de produção deste vídeo se tenha traduzido por uma excitação do género "pá, que cena radical que estamos a fazer... isto vai ser censurado pela MTV e vai dar polémica, pá". Acredito genuinamente que tenha sido esse o mote de toda a produção. O que, convenhamos, é pouco. E é triste. Quando um canal anestesiante de massas como a MTV, absolutamente inócuo em termos de criatividade, se impõe como regra a quebrar, acho que fica tudo dito. Ou visto.
E o que eu vejo aqui é uma tentativa falhada de "partir a louça". É como, por exemplo, ir caçar faisão com uma metralhadora. Ou seja, provavelmente abatemos o bicho, mas depois não podemos comê-lo. Este vídeo é um pouco isso. Violência gratuita. Rebeldia sem causa. Estupidez.
















