Tuesday, October 31, 2006

Criticas

Após mais de quatro anos com o chamado writers block, ou no meu português - preguicite aguda, senti novamente vontade para debitar sobre filmes. Talvez devido a este último projecto trissómico ou mais para poder parar com a conversa do tentei, consegui, parto para outra, lá me submeti ao teste de forma a poder figurar, de novo, entre esses tubarões-escribas da 7ª arte!
Que engano! Embora qualquer outra publicação contenha uma página que seja com as cartas dos leitores, na elite cinéfila já não são permitidas as opiniões de quem os lê. Apenas lhes é permitido fazer perguntas que qualquer pesquisa na net responde, ocupando assim páginas de informação extremamente úteis. Sim, as tão ansiadas respostas àqueles enigmas do cinema, só a Premiere pode dar, no consultório de Criswell, claro. As moradas dos famosos, as datas das estreias, a resposta àquele filme em que ela estava vestida assim e fazia assado e tantas outras pérolas. Ou talvez, sejam valores publicitários que mais alto se levantam e impedem que pequenas inicitiavas como esta, desenvolvam certos espíritos letárgicos ansiosos por aquele empurrão.
Resta-me regressar ao opinanço habitual neste blog e deixar a 7ª arte bloqueada mais uma vez.
Quanto ao Sr. Director Jorge Viera Mendes, agradeço o mail que, com toda a publicidade que aproveitou para introduzir nele, àcerca das novas iniciativas desta revista, salvou-se isto:
"Caro leitor, por razões de espaço não temos publicado críticas do leitor.... (...) Cumprimentos".
Nem sequer um cantinho ao lado desse grande vulto Somsen?!
P.S. - Vou retribuir o favor ao Sr. Director! Agradecer a resposta, aproveitando para publicitar esta nossa casa!:)

Experiências - Gymnopédie Nº. 1 (Furniture music)


Aqui não há embate possível... Dando claramente a vitória ao pai Satie, ISAN consegue, no entanto, a mesma caixa de bailarina, o tão gentil som para adormecer os petizes.
Ambas suaves peças de música, de uma beleza atmosférica e elegância etérea, que nos fazem sentir que nem estamos a ouvir música... faz parte... apenas.

Monday, October 30, 2006

Sunday, October 29, 2006

Premiere

Como é hábito, a Humanidade está a um passo da sua própria extinção. Desta vez, o problema é a infertilidade.
Classificado de ficção-científica (apenas por se passar em 2027) e baseado no romance de P.D.James, Cuarón apresenta-nos uma distopia, num futuro não muito distante, mas muito reconhecível, realista e convincente. Um drama por antecipação, mas um thriller de acção.
Após mais um caso peculiar de fama, com o mundo todo em consternação e desespero, surge um "milagre" que poderá evitar que mais casos destes surjam. Clive Owen, afasta por momentos a garrafa de whiskie e, com a ajuda de Michael Caine, o patriarca da marijuana, somos guiados para o Amanhã.
Num futuro Orwelliano, caracterizado por um controlo social opressivo, de índole de extrema.direita, os risos das crianças são substituídos pelo miar e ladrar daqueles que tomaram o seu lugar. A violência aí existente surge, por vezes, sem se esperar e faz-nos reagir tal a brutalidade visual. De câmara ao ombro, numa impressionante long-shot de guerrilha urbana ou numa emboscada, Cuarón filma o detalhe futurista da cinematografia de Lubezki. Os pormenores, referências e toda a informação estão presentes em cada cena, mas sem o exagero visual de ter que enfatizar Londres daqui a duas décadas. Um local soturno e não a sofisticada utopia que sempre sonhámos, embora com uma lindíssima luz natural de tonalidades azuis pálidos e cinzentos.
Com um elenco de luxo, Julianne Moore e Chiwetel Ejiofor, sobressai a presença de Caine que é a única personagem, a par do local onde vive, que transmite alguma alegria e luz a um filme sombrio. De realçar igualmente uma banda-sonora estranha, mas eficaz, onde surge Roots manuva como o representante musical da revolta.
No final, impõe-se a pergunta: quando toda a esperança se perde, pode um bater de coração, uma única pessoa fazer a diferença? Neste filme faz, sente-se essa mensagem subtil durante o tempo todo, por mais incerta que seja. Por isso, também a minha mensagem final é de esperança, por mais filmes honestos como este. Aos outros, já dizia Caine: "Pull my finger!"

Saturday, October 28, 2006

Pianinhs...

Na Gaveta...

A minha ida Outonal ao teatro, aqui na terrinha, fez com que sentisse vontade de reler “D. Quixote”. Talvez por ter sido recriado pela "malta conhecida", deu outro gozo à cena.
Estranho aquele que afirma ser "o mais triste de todos os livros". Se a uns faz sofrer, a mim faz sorrir. Quixote não é nenhum Dostoievskiano. Se o fosse andava por aí a bater com a cabeça nos moinhos. Como não é passeia-se alegremente pelo alheamento. E se aqui me revejo, ainda digo que sou mais Sancho!
Agrada-me a capacidade argumentativa do Pança com o Homem da Mancha! Gosto da sua representação dos mais diversos tipos de personagens, desde o ignorante do povo, passando pelo espertalhão e altamentente conhecedor de todo o tipo de rifões apropriados a todo o tipo de ocasião, até ao conselheiro e sábio, cheio de experiência e perspicácia.
E depois, para a tertúlia, como disse Quixote a Dulcineia... fomos folgar cas donzelas!

Friday, October 27, 2006


Zufrê... o patrão já foi! É tudo nosso! Só espero que tenha levado leitura...

Fugas

Vou tirar uma semana de férias deste sítio. Aos meus estimados colegas: cuidem bem disto!

Thursday, October 26, 2006

OPA À OPA!

OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPA OPÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Experiências - 4


Suporte vídeo-áudio para este primeiro embate!
No topo norte, Aphex Twin, a máquina, pesando toda a carga original do som que produz, secundado por David Firth que capta o momento para mais tarde recordar!
No topo sul, Alarm will sound, equipa-cover de 20 elementos capazes de ripostar qualquer ataque de metrelhadora electrónica com um pulsar frenético mas seguro de todos os seus clássicos instrumentos!
Quem sai vencedor?
Apenas digo... que espanto de bateria!

Wednesday, October 25, 2006

Tribalismos

Se há alguém que atribui integral sentido à noção de heterotopias estéticas utilizada pelo filósofo italiano Gianni Vattimo são estes rapazes nova iorquinos com uma sonoridade caracterizada pela mais elevada coerência ao nível da fusão. A música deles é o mundo de hoje! De regresso ao tribalismo, já há muito escrito por McLuhan.

Hoje sinto-me assim e assim desapareço...com Ligeti irei viajar, desconstruíndo as evidências, já cá pouco faço.

Coisas

Dois grandes registos aqui deixados pelo Quim e pelo Jorinhs, apenas te faltou referir o inolvidável Black Earth, dos Bohren, Jorinhs. De qualquer forma, obrigado!

Anda tudo louco?

Depois do Prado Coelho, o Miguel Sousa Tavares.
O primeiro, acusado de plagiar um artigo de opinião de um cronista brasileiro. Supostamente teria adaptado um texto de João Ubaldo Ribeiro para a realidade portuguesa, assinando o mesmo como sendo de sua autoria na habitual crónica do Público.
O segundo, acusado de plagiar parágrafos inteiros do livro «Freedom at Midnight», de Dominique Lapierre e Larry Collins, limitando-se a traduzi-los e a integrá-los quase na íntegra no aclamado «Equador».
Dois denominadores comuns:
- as acusações têm por rosto o anonimato da net e da blogosfera;
- ambos os visados negam as acusações de que são alvo.
O Prado Coelho diz que não está para se chatear com o assunto e que nada vai fazer (segundo parece, o texto que alegadamente teria assinado/copiado jamais foi publicado no Público). O Sousa Tavares ameaça com processos e diz que desconfia do autor do blogue que denunciou a situação (http://www.freedomtocopy.blogspot.com/).
Aguardam-se os desenvolvimentos.

Goo


I feel like I'm disappearing
Getting smaller every day
But I look in your eyes
And I'm bigger in every way

Reich



Já que na terrinha não há concertos, vê-se mesmo por aqui...e gosto mesmo de Steve Reich; desculpa lá Galopim, mas é o melhor dos minimalistas.
Só uma coisinha, acho vergonhoso que uma antiga responsável pelo pelouro da cultura desta mísera terra que até me envergonho de dizer o nome, tenha afirmado com todos os dentes que tem na boca que este é dos municípios em Portugal que gasta mais dinheiro com a cultura, quando o que se vê são uns eventos que vão pingando ao longo do ano para ir jogando areia para os olhos de quem acha que isto de cultura é um concerto de Cesária Évora por ano e pouco mais. Mas, meus caros, a criação de hábitos culturais passa tão só por duas coisinhas que V/Exas. nunca se dignaram a pensar:
1- a criação de equipamentos culturais;
2 - Um programa coerente e regular de eventos ao longo do ano.
Mas como quiseram para cá barrigudos de bigode e palito ao canto da boca a comer sardinhas e a beber tintol, inebriados com as chorudas quantias que V/Exas. gastam em pirotecnia durante o Verão com o dinheiro dos contribuintes, tudo bem, a opção foi vossa.
Essa mesma responsável veio depois, alarvemente, ao lado do então Presidente do IDT, Fernando Negrão, orgulhar-se em público dos programas de prevenção contra a toxicodependência feitos cá na terrinha, que bem deram uns bons tachos a certos meninos queques e hipócritas, quando uma pessoa com dois dedos de testa compreende que a melhor forma de prevenção para essas maleitas que os senhores tanto abominam é arranjar algo de interessante para preencher o imaginário das pessoas, ou não?!
Mas enfim, viva a festa pimba no Verão e a quarentena de tédio durante o Inverno, coisa boa para criar maníaco-depressivos em massa. E aproveito para dizer à senhora ex-reponsável por tanta coisa nesta cidade que no caso de ler este post, o que duvido, que o faça acompanhada do som que aqui coloquei de modo a que, pelos menos, sirva de aconchego à sua colossal ignorância.

Tuesday, October 24, 2006

Perfurar...

Invoca o autismo, deixa afectar a capacidade de comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que o rodeia. Distancia-se, alhea-se, fecha-se, mas mune-se da melhor banda-sonora para o fazer. Depois, partilha por portas travessas o que não consegue fazê-lo pela fala. A música pega no discurso e transmite os sentimentos e ambientes presentes.
Auto-concentração. Badalamenti. Lynch. Estranho relaxe. Tudo é lento, langoroso, rola o lounge, batidas mais atmosféricas que rítmicas, por breves instantes surgem imagens, clareiras, mas rapidamente o som puxa para um canto escuro, onde se sentem apenas as vibrações nas entranhas. E aí fica... entendi!

Fornication in space...