Wednesday, October 25, 2006
Reich
Tuesday, October 24, 2006
Perfurar...
Invoca o autismo, deixa afectar a capacidade de comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que o rodeia. Distancia-se, alhea-se, fecha-se, mas mune-se da melhor banda-sonora para o fazer. Depois, partilha por portas travessas o que não consegue fazê-lo pela fala. A música pega no discurso e transmite os sentimentos e ambientes presentes.Assim vai o jornalismo desportivo que temos...
Público, pág 29:
Título:Benfica SAD com passivo de 151 milhões
Início do texto: “A Benfica SAD terminou o exercício de 2005/2006 com um passivo de cerca 151 milhões de euros, mais 26,1 milhões do que a temporada transacta (um crescimento de cerca de 20 por cento).”
Site do Jornal de Negócios:
Título: Passivo agrava-se para os 151,86 milhões de euros; Prejuízos da Benfica SAD melhoram 79,1%
Início do texto: “Benfica SAD anunciou hoje que os que seus prejuízos do exercício 2005/2006 apresentaram uma melhoria de 79,1% face ao mesmo período do ano passado. O passivo da SAD encarnada agravou-se em 20,8% para os 151,86 milhões de euros.”
A BOLA, pág 15:
Título: “SAD reduz prejuízo sem vender estrelas”
Início do texto: “O Relatório e Contas da Sociedade Desportiva, do clube e as contas consolidadas, isto é os números de todo o universo benfiquista (clube, SAD, Benfica Estádio, Benfica SGPS, Benfica Multimédia e Benfica Comercial) foram ontem divulgados. Os resultados, aprovados por unanimidade, demonstraram uma redução do prejuízo da SAD na temporada 2005/2006, mesmo sem a venda de Simão. O passivo global do Benfica mantém-se na ordem dos 315 milhões de euros”.
Abstendo-me de comentar a disparidade dos títulos, chamo apenas a atenção para o facto de a entrada do texto d’A BOLA não discriminar o passivo da SAD (que aumentou para os tais 151 milhões), optando antes por englobá-lo (ou disfarçá-lo) no somatório de passivos de todo o universo empresarial do Benfica. O que não deixa de ser estranho, atendendo ao título escolhido para a peça.
Referência ao crescimento do passivo? Só de raspão, no último parágrafo da notícia. Mas até chegar a essa breve nota de rodapé informativo, existe todo um texto que deveria fazer corar de vergonha qualquer benfiquista isento. Lê-se, por exemplo, que “a venda do passe de um jogador como Simão, que esteve quase a sair para o Valência por verbas a rondar os 20 milhões de euros, possibilitaria, por si só, um resultado positivo” no exercício contabilístico da SAD. Pergunto: mesmo que isso fosse verdade (é?) o que é que o assunto tem a ver com dados factuais constantes num relatório e contas?
Depois, cita-se o vice-presidente do clube, Rui Cunha, para corroborar a tese: «Na cedência de direitos desportivos apenas realizámos um valor de pouco mais de sete milhões de euros, mas se aceitássemos as propostas que recebemos por um conjunto de jogadores que temos poderíamos aumentar significativamente esse montante.» Seria descabido perguntar ao senhor dirigente porque é que não venderam? Não teria interesse saber se foi por opção ou por incapacidade negocial? E porque raio não fez o jornalista esta pergunta? E porque é que ele também não perguntou se não é estranho que o passivo do clube tenha aumentado num ano em que a equipa fez a melhor carreira na Liga dos Campeões nos últimos 15 anos? Não convém? Raios partam a merda do compadrio!!!
Maria(s)
Monday, October 23, 2006
Notas para um livro que jamais será escrito
A melhor (e mais injustiçada) canção de amor de todos os tempos?

The plan it wasn't much of a plan
I just started walking
I had enough of this old town
had nothing else to do
It was one of those nights
you wonder how nobody died
we started talking
You didn't come here to have fun
you said: "well I just came for you"
But do you still love me?
do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance
with someone I've been
pushing away
And touch we touched the soul
the very soul, the soul of what we were then
With the old schemes of shattered dreams
lying on the floor
You looked at me
no more than sympathy
my lies you have heard them
My stories you have laughed with
my clothes you have torn
And do you still love me?
do you feel the same
And do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again
You lost that feeling
You want it again
More than I'm feeling
you'll never get
You've had a go at
all that you know
You lost that feeling
so come down and show
Don't say goodbye
let accusations fly
like in that movie
You know the one where Martin Sheen
waves his arm to the girl on the street
I once told a friend
that nothing really ends
no one can prove it
So I'm asking you now
could it possibly be
that you still love me?
And do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again
I take it all from you
(Nothing Really Ends - Tom Barman/dEUS)
shvoong
Saturday, October 21, 2006
Friday, October 20, 2006
"Futebol: Mesmo"

É óbvio que a descarada costela sportinguista que pauta os seus textos ajuda a criar esta empatia. Mas, que diabo!, um sportinguista só pode aplaudir quem teve a coragem de escrever e publicar isto a propósito da saída do Hugo do Sporting:
Kimmo Pohjonen - Acordeão do Diabo
O acordeão simpático que conhecemos das nossas festas populares mudou. Tranformou-se numa besta ameaçadora dedilhada por um gigante de nome élfico. Mas é o instrumento que o possui, que faz dele o que quer e bem lhe apetece, que o puxa para si ao ponto de o induzir num transe hipnótico. Thursday, October 19, 2006
Wednesday, October 18, 2006
Das que já saíram do estado natural
Os poetas do betão
Tuesday, October 17, 2006
Ainda o futebol...
CóCó

No prefácio à Edição Francesa do "Elogio da Intolerância", agora traduzido para português, obrigado Costa, Slavoj Zizek estabelece uma original relação entre as disposições de um povo e a forma como este lida com a sua actividade excrementícia, a saber, a merda que sai do ânus de cada indivíduo. Assim, enquanto que a configuração da sanita alemã apela para uma atitude de ambiguidade contemplativa que pode estar relacionada com a propensão que os Alemães têm para a metafísica, a configuração da sanita francesa apela para uma atitude de fazer desaparecer o mais rapidamente da vista tais excrementos desagradáveis, o que pode estar relacionado com a célebre propensão dos Franceses para o radicalismo revolucionário. Já os ingleses deixam que a merda fique a flutuar de forma bem visível sem que por isso deva ser contemplada ou observada, o que indica a típica atitude utilitarista anglo-saxónica no que se refere à economia. Zizek aborda este triângulo, pois, ao fim ao cabo, é aqui que assentam os pilares da civilização ocidental, fazendo com que um povo como o português seja, por razões óbvias, obnubilado.
Porém, das minhas pequenas e pouco profundas reflexões acerca da especificidade antropológica do povo português, saliento que, ao observarmos as sanitas das casas de banho públicas, podemos inferir dos portugueses uma clara propensão para a nostalgia, isto quando permanentemente confrontados com os já célebres resquícios de cócó que ficam colados no fundo da sanita. Pode chegar-se mesmo a considerar que esta específica relação com a excrescência, indica-nos um claro espectáculo de potlach público relativamente à merda, como se cada indivíduo que sai da casa de banho quisesse transmitir ao outro que vem a seguir a merda na qual todo o português está, de forma nostálgica, no presente e no passado, constantemente atolado.





