Wednesday, October 25, 2006

Reich



Já que na terrinha não há concertos, vê-se mesmo por aqui...e gosto mesmo de Steve Reich; desculpa lá Galopim, mas é o melhor dos minimalistas.
Só uma coisinha, acho vergonhoso que uma antiga responsável pelo pelouro da cultura desta mísera terra que até me envergonho de dizer o nome, tenha afirmado com todos os dentes que tem na boca que este é dos municípios em Portugal que gasta mais dinheiro com a cultura, quando o que se vê são uns eventos que vão pingando ao longo do ano para ir jogando areia para os olhos de quem acha que isto de cultura é um concerto de Cesária Évora por ano e pouco mais. Mas, meus caros, a criação de hábitos culturais passa tão só por duas coisinhas que V/Exas. nunca se dignaram a pensar:
1- a criação de equipamentos culturais;
2 - Um programa coerente e regular de eventos ao longo do ano.
Mas como quiseram para cá barrigudos de bigode e palito ao canto da boca a comer sardinhas e a beber tintol, inebriados com as chorudas quantias que V/Exas. gastam em pirotecnia durante o Verão com o dinheiro dos contribuintes, tudo bem, a opção foi vossa.
Essa mesma responsável veio depois, alarvemente, ao lado do então Presidente do IDT, Fernando Negrão, orgulhar-se em público dos programas de prevenção contra a toxicodependência feitos cá na terrinha, que bem deram uns bons tachos a certos meninos queques e hipócritas, quando uma pessoa com dois dedos de testa compreende que a melhor forma de prevenção para essas maleitas que os senhores tanto abominam é arranjar algo de interessante para preencher o imaginário das pessoas, ou não?!
Mas enfim, viva a festa pimba no Verão e a quarentena de tédio durante o Inverno, coisa boa para criar maníaco-depressivos em massa. E aproveito para dizer à senhora ex-reponsável por tanta coisa nesta cidade que no caso de ler este post, o que duvido, que o faça acompanhada do som que aqui coloquei de modo a que, pelos menos, sirva de aconchego à sua colossal ignorância.

Tuesday, October 24, 2006

Perfurar...

Invoca o autismo, deixa afectar a capacidade de comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que o rodeia. Distancia-se, alhea-se, fecha-se, mas mune-se da melhor banda-sonora para o fazer. Depois, partilha por portas travessas o que não consegue fazê-lo pela fala. A música pega no discurso e transmite os sentimentos e ambientes presentes.
Auto-concentração. Badalamenti. Lynch. Estranho relaxe. Tudo é lento, langoroso, rola o lounge, batidas mais atmosféricas que rítmicas, por breves instantes surgem imagens, clareiras, mas rapidamente o som puxa para um canto escuro, onde se sentem apenas as vibrações nas entranhas. E aí fica... entendi!

Fornication in space...

Assim vai o jornalismo desportivo que temos...

O mesmo assunto, tratado por três jornais. Um diário generalista, um diário de economia e um diário desportivo. Notem as diferenças.

Público, pág 29:
Título:Benfica SAD com passivo de 151 milhões
Início do texto: “A Benfica SAD terminou o exercício de 2005/2006 com um passivo de cerca 151 milhões de euros, mais 26,1 milhões do que a temporada transacta (um crescimento de cerca de 20 por cento).”

Site do Jornal de Negócios:
Título: Passivo agrava-se para os 151,86 milhões de euros; Prejuízos da Benfica SAD melhoram 79,1%
Início do texto: “Benfica SAD anunciou hoje que os que seus prejuízos do exercício 2005/2006 apresentaram uma melhoria de 79,1% face ao mesmo período do ano passado. O passivo da SAD encarnada agravou-se em 20,8% para os 151,86 milhões de euros.”

A BOLA, pág 15:
Título: “SAD reduz prejuízo sem vender estrelas”
Início do texto: “O Relatório e Contas da Sociedade Desportiva, do clube e as contas consolidadas, isto é os números de todo o universo benfiquista (clube, SAD, Benfica Estádio, Benfica SGPS, Benfica Multimédia e Benfica Comercial) foram ontem divulgados. Os resultados, aprovados por unanimidade, demonstraram uma redução do prejuízo da SAD na temporada 2005/2006, mesmo sem a venda de Simão. O passivo global do Benfica mantém-se na ordem dos 315 milhões de euros”.

Abstendo-me de comentar a disparidade dos títulos, chamo apenas a atenção para o facto de a entrada do texto d’A BOLA não discriminar o passivo da SAD (que aumentou para os tais 151 milhões), optando antes por englobá-lo (ou disfarçá-lo) no somatório de passivos de todo o universo empresarial do Benfica. O que não deixa de ser estranho, atendendo ao título escolhido para a peça.

Referência ao crescimento do passivo? Só de raspão, no último parágrafo da notícia. Mas até chegar a essa breve nota de rodapé informativo, existe todo um texto que deveria fazer corar de vergonha qualquer benfiquista isento. Lê-se, por exemplo, que “a venda do passe de um jogador como Simão, que esteve quase a sair para o Valência por verbas a rondar os 20 milhões de euros, possibilitaria, por si só, um resultado positivo” no exercício contabilístico da SAD. Pergunto: mesmo que isso fosse verdade (é?) o que é que o assunto tem a ver com dados factuais constantes num relatório e contas?

Depois, cita-se o vice-presidente do clube, Rui Cunha, para corroborar a tese: «Na cedência de direitos desportivos apenas realizámos um valor de pouco mais de sete milhões de euros, mas se aceitássemos as propostas que recebemos por um conjunto de jogadores que temos poderíamos aumentar significativamente esse montante.» Seria descabido perguntar ao senhor dirigente porque é que não venderam? Não teria interesse saber se foi por opção ou por incapacidade negocial? E porque raio não fez o jornalista esta pergunta? E porque é que ele também não perguntou se não é estranho que o passivo do clube tenha aumentado num ano em que a equipa fez a melhor carreira na Liga dos Campeões nos últimos 15 anos? Não convém? Raios partam a merda do compadrio!!!

Maria(s)

Eu sei que a insistência neste escritor começa a ser aborrecida, mas, há momentos em que as palavras passam para a vida; conheci Maria que celebrou comigo todos os rigores do conhecimento de Marias, o Javier, e segundo Maria, que me falava tão empolgantemente de Marias, cada instante é um acto único, uma transformação do sujeito-leitor consoante o seu sentir situacional, porque Marias perspectiva as emoções, porque Marias é tão único como o conhecimento profundo que tive da tua sublime sensibilidade, Maria. Ontem, mergulhámos e fizemo-nos personagens dignas de um sentir que já não se sente por ter ficado para sempre retido naquele instante.

Temos que ser uns pós outros...

Monday, October 23, 2006

Tom Waits for no one...

Para aquela que escapou...

Imagem para a capa de um livro já escrito


(Com a devida vénia à autora, Marta Nobre.)

Obrigado Martinha!

Notas para um livro que jamais será escrito


"23 de Outubro de 1997. Nesse dia disseram-lhe que já não valia a pena. E só então reparou que era o único que ainda não tinha tomado consciência disso. À sua volta nada restava, para além dos despojos do esforço dos outros."

A melhor (e mais injustiçada) canção de amor de todos os tempos?


The plan it wasn't much of a plan
I just started walking
I had enough of this old town
had nothing else to do
It was one of those nights
you wonder how nobody died
we started talking
You didn't come here to have fun
you said: "well I just came for you"
But do you still love me?
do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance
with someone I've been
pushing away

And touch we touched the soul
the very soul, the soul of what we were then
With the old schemes of shattered dreams
lying on the floor
You looked at me
no more than sympathy
my lies you have heard them
My stories you have laughed with
my clothes you have torn
And do you still love me?
do you feel the same
And do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again

You lost that feeling
You want it again
More than I'm feeling
you'll never get
You've had a go at
all that you know
You lost that feeling
so come down and show

Don't say goodbye
let accusations fly
like in that movie
You know the one where Martin Sheen
waves his arm to the girl on the street
I once told a friend
that nothing really ends
no one can prove it
So I'm asking you now
could it possibly be
that you still love me?
And do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again

I take it all from you


(Nothing Really Ends - Tom Barman/dEUS)

shvoong

Bom dia. Aderi ao schvoong, site onde cibernautas de todo o mundo colocam resumos de livros de todo o tipo, desde os mais complexos até aos da Margarida Rebelo Pinto. Já coloquei o link do site aqui no blogue e por baixo vão sendo colocados os meus resumos. Juro, mas juro mesmo, que foram lidos e não retirados das contracapas, até porque não possuo o livro do primeiro resumo que lá coloquei, sendo esse trabalho o resultado da minha modesta memória.
Já que falei em Rebelo Pinto, não seria difícil fazer o resumo de uma das suas obras. Basta tão pouca imaginação como isto: «Catarina, gestora de sucesso, cai numa terrível depressão por descobrir que o marido, Carlos, advogado com escritório no centro de Lisboa, a traiu com uma moçoila de 20 anos dotada de umas formas bem torneadas (para não ser injusto, esta última expressão foi roubada do último romance de Saraiva, o director do Sol). Após, nem mais nem menos do que 150 sessões no psicanalista, Catarina rejuvenesce 10 anos e começa a ser vista na companhia de jovens bem parecidos e com cabelos oxigenados que são tidos como locals a apanhar ondas de meio-metro na praia do Guincho. Todo o restante enredo passar-se-á entre o areal e uma cabana e os pormenores mais picantes serão da exclusiva imaginação do leitor».

Saturday, October 21, 2006

não compensa mesmo; mas estupidamente insisto e elas ficam a dialogar por si na minha cabeça. é nesses instantes que fico calado, o que é triste, muito mesmo. hoje deu-me para isto.

Friday, October 20, 2006

"Futebol: Mesmo"


Gosto das dissertações ‘científicas’ de Freitas Lobo mas, para mim, Joel Neto é o melhor cronista de futebol que temos em Portugal. Se a leitura do primeiro me ensina a ver o lado táctico do futebol, é o segundo quem me faz sentir que não estou sozinho nas coisas que sinto enquanto mero adepto e apreciador deste desporto. Acontece-me todas os sábados. Seja qual for o teor da crónica.

É óbvio que a descarada costela sportinguista que pauta os seus textos ajuda a criar esta empatia. Mas, que diabo!, um sportinguista só pode aplaudir quem teve a coragem de escrever e publicar isto a propósito da saída do Hugo do Sporting:
"ALÍVIO
Serei o primeiro, se for preciso, a reconhecer o profissionalismo de Hugo. Durante cinco anos, deu tudo o que tinha ao Sporting. Mas tinha pouco.
O Sporting parece às vezes, infelizmente, um clube vocacionado para jogadores sem talento. Alguns, como Oceano e Iordanov, chegaram mesmo a atingir uma certa dimensão – tiveram sorte, estiveram no sítio certto á hora certa, fizeram um esforço.
Hugo fica na história como o jogador mais desprovido de talento, e ao mesmo tempo de sorte, que já vi jogar no meu clube. Convido-o para almoçar quando quiser. Parece-me uma pessoa fiável. Mas fico radiante por saber que não volta a jogar no meu clube."

Kimmo Pohjonen - Acordeão do Diabo

O acordeão simpático que conhecemos das nossas festas populares mudou. Tranformou-se numa besta ameaçadora dedilhada por um gigante de nome élfico. Mas é o instrumento que o possui, que faz dele o que quer e bem lhe apetece, que o puxa para si ao ponto de o induzir num transe hipnótico.
Ouvi Kielo, Kluster, Kalmuk, em surround e bem alto... foi uma boa descida aos infernos...

Thursday, October 19, 2006

Bastian o Montador de Porcos

Schweinsteiger! O Ricardo deve traduzir como porco do caralho! A claque do Bayern é mais simpática... trata-o por Schweine, ou seja, porquinho.

Wednesday, October 18, 2006

Das que já saíram do estado natural

Esta mulher, por aquilo que escreve, já devia ter ganho um Prémio Nobel das evidências não vistas pelos parolos. Grande Fernanda Câncio!

Os poetas do betão

É curioso constatar que numa região onde nos últimos 30 anos nunca se ligou patavina à cultura, devido ao notável trabalho de desenvolvimento - "betoneiro"- local levado a cabo pelos nossos autarcas durante esse período - isto segundo a mais recente opinião de um amigo meu -, tenham nascido dois grandes poetas portugueses. Um está aqui com este poema lindíssimo. O outro é o António Ramos Rosa. Estes, certamente, contribuiram mais para a dignidade do país do que aqueles que com 1 euro na administração local fazem e fizeram seguramente mais (merda) do que os perigosos homens da administração central com 3 euros. Diga-se, por fim, que já faz parte da idiossincrassia nacional este anátema contra o poder central, qual pai que nos castra constantemente os movimentos. Mas quando se trata da pedinchice clássica lá revemos a posição e reconciliamo-nos com a figura do pai. Clássico e psicanalítico!

Tuesday, October 17, 2006

Ainda o futebol...

Numa exposição de pintura, perguntei a um luso-francês o que ele achava do Toulouse-Lautrec...
... ele respondeu:
Toulouse - 2 Vs. Lautrec - 1

CóCó



No prefácio à Edição Francesa do "Elogio da Intolerância", agora traduzido para português, obrigado Costa, Slavoj Zizek estabelece uma original relação entre as disposições de um povo e a forma como este lida com a sua actividade excrementícia, a saber, a merda que sai do ânus de cada indivíduo. Assim, enquanto que a configuração da sanita alemã apela para uma atitude de ambiguidade contemplativa que pode estar relacionada com a propensão que os Alemães têm para a metafísica, a configuração da sanita francesa apela para uma atitude de fazer desaparecer o mais rapidamente da vista tais excrementos desagradáveis, o que pode estar relacionado com a célebre propensão dos Franceses para o radicalismo revolucionário. Já os ingleses deixam que a merda fique a flutuar de forma bem visível sem que por isso deva ser contemplada ou observada, o que indica a típica atitude utilitarista anglo-saxónica no que se refere à economia. Zizek aborda este triângulo, pois, ao fim ao cabo, é aqui que assentam os pilares da civilização ocidental, fazendo com que um povo como o português seja, por razões óbvias, obnubilado.

Porém, das minhas pequenas e pouco profundas reflexões acerca da especificidade antropológica do povo português, saliento que, ao observarmos as sanitas das casas de banho públicas, podemos inferir dos portugueses uma clara propensão para a nostalgia, isto quando permanentemente confrontados com os já célebres resquícios de cócó que ficam colados no fundo da sanita. Pode chegar-se mesmo a considerar que esta específica relação com a excrescência, indica-nos um claro espectáculo de potlach público relativamente à merda, como se cada indivíduo que sai da casa de banho quisesse transmitir ao outro que vem a seguir a merda na qual todo o português está, de forma nostálgica, no presente e no passado, constantemente atolado.

Porque razão não se deve treinar o Sporting no FM...