Friday, October 13, 2006

Estranhas e Belas "Isolations"


Body Isolations, o segundo álbum de Donato Wharton, vai transfigurando o corpo à medida que nos suspendemos na singularidade atmosférica de cada faixa. Entre a inquietude, o silêncio e a inércia, vamos sendo conduzidos por estados fragmentados que ganham particular significado à luz do detalhe. De um experimentalismo «suave», só aconselhável a gajos que não percebem nada de música,... como eu! Mas, mesmo assim, digo: - É muito bom!

O Almeida

Desde que tomei conhecimento que um em cada três deputados italianos consome algum tipo de estupefacientes, como o haxixe e a cocaína, que não deixo de pensar aqui no maroto do João. Não que considere que faça parta da estatística na versão Portuguesa, mas por considerar que o que diz é digno de alguém sob o efeitos de psicotrópicos!
Segundo uma investigação de programa satírico de televisão «Le Iene», que é emitido no Itália Uno, canal do grupo Mediaset que, só por acaso, é propriedade do chefe da oposição de centro-direita italiana, Sílvio Berlusconi, cinquenta deputados foram testados ao consumo de droga, através de um produto químico aplicado durante a maquilhagem e que revela a presença do estupefaciente no suor.
Como acredito nas estatísticas, já que costumam estar 95% das vezes correctas, imagino a hipocrisia que não é em Portugal. E se o Alberto João ainda num faz destas... espero que um Marques Mendes ou Pinto Balsemão se arme também em Al Capone Tuga e denuncie os fazedores de leis no joelho, enquanto fumam uma ou dão uns tracinhos...


P.S. - Maior parte deles são uns charrados, já que apenas 4 dos 16 davam na coca...
P.S.D. - O "D" é de post scriptum dois e o um não se refere aos deputados do Partido Socialista...

Euzebiusz... Tal pai, tal filho

Quis a história que Eusébio derrotasse Portugal. Ebi (baptizado em honra do Pantera Negra) herdou a vocação natural para o futebol e para o nosso miserável, em termos exibicionais, país.
Saiu da Polónia aos seis anos devido à carreira internacional do pai, mas apesar de ter feito toda a sua formação no Feyenoord declinou a hipótese de jogar pela selecção Holandesa. Como o próprio refere: “O meu pai disse-me que deveria representar a Polónia, como ele. Fi-lo por ele”. Obrigado paizinh!
Esta decisão, contrária à de outros jogadores de origem polaca, como Klose e Podolski, que preferiram uma selecção de maior renome, granjeou-lhe enorme respeito por parte dos seus compatriotas, mesmo que nem consiga entendê-los, já que não fala puto de Polaco...

A Kid

Mais um exemplo Dadaísta Tzariano é o aplicado por Thom Yorke (Com agá), no álbum Kid A dos Radiohead. Enquanto a banda ensaiava as músicas, aquele escrevia frases, cortava-as em linhas únicas, colocava-as num chapéu e ia retirando os futuros textos do que ouvia. E digam lá se a cena não correu bem...

Thursday, October 12, 2006

Burroughs... esse Guilherme Tell contemporâneo

(The) Naked lunch, escrito na cidade Marroquina de Tânger, em 1959, é um dos melhores exemplos do movimento Dada. Popularizou a técnica do "cut-up", uma justa-posição arbitrária de palavras e frases, usadas como forma de reestruturar a percepção da gramática e de forma a quebrar a linearidade da escrita. E a culpa é do ópio...

E para quem tenha problemas de plagiarismo, lembre-se...

Se roubar de um autor é plágio. Se roubar de muitos é pesquisa!

Dadaísmo...

Para que não fiquem com a ideia errada, quando critiquei as repetições no post anterior, fi-lo por nelas não existirem nada de novo. Caramba, aquilo está igualzinho! Vírgula por vírgula FP!
Quem me conhece, sabe que em termos artísticos, não tenho um pingo de originalidade em mim. No entanto, quando se trata de copy/paste, sou um entusiasta e praticante assíduo (talvez já o tenham notado). Sou por esta forma de comunicar. O reinventar, dando a conhecer tudo o que me toca, mas da forma como o apreendo.
Com início nos anos 20, o movimento Dadaísta teve no poeta romeno Tristan Tzara, um dos seus maiores representantes. Aqui deixo a sua receita dada para um poema dada:
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Repetição é a morte da arte...

Não que os posts aqui repostos pelo o FP o sejam ou aspirem a tal! Mas pela sua mera recolocação, repetindo-se no que já tinha escrito anteriormente, fazem com que estes sejam diferentes dos outros. Embora iguais na escrita e imagem, perderam a essência que fizeram deles a tal "arte" que surgiu num dado momento e pelas mais variadas circunstâncias. Isso está perdido! Agora não passam de reproduções, reles cópias que nada acrescentam ao que aqui outrora foi escrito e com intuitos certamente diferentes dos de agora.
Contudo, como se pode ler pela nota de culpa e correspondente sanção aplicada pela entidade patronal deste blog, teve a capacidade de refazer a ligação à ponte trissómica, entretanto quebrada, aquando do apagão. Pela reconstrução, de má qualidade é certo, iço a levadiça suspensão a que me tinha proposto e retomo às funções que a minha greve selvagem ditou.
Em bom tempo, é que já sentia o bafo do "Gordo" a tentar bater-me nos côcos... diz ele para simular o galope dos cavalos. Sei, sei...

Coisas pelas quais vale a pena pagar

A página 5 do Público de hoje vale os 0,90 euros que custam jornal. Até me arrisco a estimar que a crónica do Pacheco Pereira vale uns bons 80 cêntimos e a do Prado Coelho os restantes 10.

Sem me alongar em considerandos sobre o futuro da imprensa ‘tradicional’ face aos desafios do online e da imprensa gratuita, limito-me a constatar que são exemplos como este que me fazem acreditar que haverá sempre mercado para os jornais pagos. Desde que, claro!, façam por merecer o facto de termos de desembolsar dinheiro para lê-los. E isso passará, sobretudo, pelas vertentes de opinião, reportagem e contextualização da notícia 'rotineira'.

Permito-me transcrever excertos dos artigos que motivaram este “post”:

Porque razão a democracia tem medo de Salazar? (Pacheco Pereira)
“(...) Por último, há uma razão muito simples, que ninguém quer admitir, e que tem a ver com a permanência nos valores mentais, nos hábitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o “respeitinho”, a hipocrisia pública, a retórica antipolítica, a tentação de considerar que o suprapartidário é bom, a obsessão pelo “consenso”, o medo da controvérsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrupção pequena, a falta de espírito crítico desde as artes e letras até à imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo.”

Corrupções (Prado Coelho)
“Alberto João Jardim é um caso extraordinário. Ao vê-lo sentimos uma repulsa imensa por esta personagem não apenas demagógica mas rasteira e medíocre. Tem tido o dinheiro que quer sem prestar contas dele. Revela a mais total rejeição dos princípios democráticos.”

"Imagens de pessoas com música dentro"


Já agora, aqui fica outra sugestão de link para um blogue de que gosto. “Imagens de pessoas com música dentro”, da fotojornalista Rita Carmo, em ritacarmo.blogspot.com.

Se lá forem nos próximos dias peço é que não se assustem com a primeira imagem que aparece. É de um tal de Miguel Ângelo, vocalista de uns tais Delfins e (muito infelizmente!) autor da música do centenário de um tal de Sporting.

É pena que o blogue não seja actualizado mais frequentemente, para evitar este bizarro cartão de visita momentâneo. Mas acreditem que o resto vale a pena. Ou talvez não. Seja como for, o que interessa é que serviu-me de pretexto ideal para 'postar' aqui uma foto da miss PJ. E isso já não é mau.

agora...

siga!

e amanhã lá terei de ceder à deriva fascista e reaccionária do gajo que aqui escreve a azul (esta cor não vos faz lembrar nada?!), e colocar aquele link altamente suspeito...nem que seja para dizer mal.
Devo referir ainda que passei por lá e apreciei assim-assim um texto; e também um vídeo do youtube a gozar com o Ivan Nunes que considero ser uma figurinha altamente execrável. Não foi por acaso que o puseram frente-a-frente com a Helena Matos no "Choque Ideológico". Estão bem um para o outro!
Nota 1: quanto ao primeiro parágrafo estou obviamente a brincar até porque acho muito bem que exista gente em Portugal que se assuma como sendo claramente de direita, coisa quase impossível há duas décadas atrás devido às nuances características da cultura política que herdámos do 25 de Abril, cujo partido mais à direita situava-se precisamente ao centro.
Nota 2: Eis a surpresa! Começo a deslizar o meu pensamento para essas bandas, mas de uma forma sempre crítica, se é que isso é possível...é, e não falando agora da blogosfera, um dos gajos que anda a escrever muito bons artigos de opinião actualmente em Portugal é o Rui Ramos, alguns deles, de uma lucidez aterradora.

e...

quando o Foucault foi ao Collège de France conferenciar, atirou para a plateia essa estranhíssima «episteme» que controla discursivamente o que é dito e não dito, e que cabe ao cães de guarda o bom zelo de tão bem a fazer enunciar; o heteróclito é que é assim um pouquinho mais complicado.

Os pensadores massíficos

O Ortega, esse pensador espanhol também ele não muito fashion, já nos idos anos trinta anteviu, embora não a tivesse referido, uma blogosfera, ou seja, um espaço público onde toda a gente opina sobre tudo, mas, no fundo, não entende porra nenhuma de nada.

Fashion

O Rodrigues Miguéis, por acaso grande escritor, tanto zurziu nos talassas e anquilosados que se reúnem neste país, que hoje ninguém lhe pega; enfim, não é muito fashion...

A diligente higiene espiritual do Dandy

Portrait of Dorian Gray
Para cuidar quotidianamente da higiene do espírito, relativamente àquelas que ainda não sairam do estado natural, cabe-nos sempre tomar em consideração o seguinte:
"A mulher é o oposto do Dandy.
Por isso ela nos deve causar repulsa.
Se uma mulher sente fome apetece-lhe logo comer - e se tem
sede bebe.
Em cio quer ser fodida.
Que glória!
A mulher é natural, isto é, abominável.
Por isso mesmo ela é sempre vulgar, ou seja, o contrário de
um Dandy".
Charles Baudelaire

Anxiety

Man Ray - Anxiety
quer-me parecer que corpos há, que à força de tanto girarem sobre si próprios atingem à velocidade da luz o vazio, mais prosaicamente, um pensamento meta-formal sem qualquer tipo de conteúdo. Baudrillard connections!

Despedimento?! Claro que não...Nunca!

"Porque nos reconhecemos calvinistas, predestinados à eterna
glória
a que Deus nos votou, crentes de que a abnegação ética deste nosso
trabalho nos trará a salvação e o reconforto do Céu, não iremos desistir,
não
iremos baixar os braços e sucumbir diante de tão sórdidas maleitas
a
que nos
possam querer vir submeter;

Porque entendemos que transportamos um legado, uma ética irreconciliável com a renúncia aquando do confronto com o mais caprichoso dos obstáculos, resolvemos anunciar a nossa glória quer no céu quer na terra. Por isso FP, se te dás assim por despedido, apenas te restará a amarga penitência de te sujeitares ao jugo do vilipêndio público, como quem diz, seres daqui em diante escarnecido por inaptidão em fazer sucumbir aos mais requintados vícios da carne quatro beatas católicas e...acima de tudo, decrépitas. Por isso, apenas te resta abjurar, repondo os posts aqui antes profanados de forma tão esquálida pela tua maldita pessoa, de modo a que assim e apenas assim possas retornar à cidade que confere o sentido da esperança e da paz à tua alma".

Quando a ira de Deus recai sobre cada um de nós - connosco não existem intermediários -, vigiando as nossas acções para que desse modo o zelo do nosso bem não seja fruto das frívolas e ignóbeis tentações de um momento, resta-nos a aceitação e o acto de denúncia perante paixões tão pérfidas que nos possam vir a assediar. Por essa mesma razão e, após cumprido o acto concupiscente de fornicar até à desmesura essas mesmas beatas que referiste, decidi reconciliar-me com o corpo e a matriz que define estes tão meritórios crentes da tua anunciada glória divina!

Wednesday, October 11, 2006

Unossomia? Não, obrigado!


Só depois de publicar o post anterior é que me apercebi de que algo de estranho se passou neste blogue. Não compreendi ao certo o quê mas, pelo que vejo, arrisco-me a ficar a escrever sozinho. Temporariamente, espero.

Como é óbvio, este facto criou-me de imediato ânsias de escrever mais de 23 mil caracteres com considerações variadas sobre o universo blogosférico, as vossas motivações neste espaço, os pressupostos que aqui nos uniram e por aí adiante. Mas, no fundo, toda essa dissertação pode resumir-se a um sincero e genuíno “DEIXEM-SE DE MERDAS”.

Não quero saber se há depressões, amuos, embirrações, ofensas a blogues alheios, textos que entram e textos que saem, discussões prévias sobre se se deve ou não publicar isto e/ou aquilo, se fulana de tal vai achar bem ou mal o que escrevemos ou dizemos... Não quero saber! Que se lixe! Se é para condicionar a minha acção neste espaço aos julgamentos, críticas e avaliações dos outros, então já me basta a rotina diária do trabalho...

Como tal, se mantenho a predisposição para continuar por aqui, é porque entendo que os objectivos do SadeNaMarquise são outros. Se me perguntarem quais são, muito sinceramente não saberei responder. Mas essa também pode ser uma boa premissa para a continuidade do projecto: uma demanda em busca do sentido de aqui estarmos juntos a escrever. Seremos nós capazes de encontrar o nosso Santo Graal? Provavelmente não. Mas, que diabo!, ao menos que retiremos algum prazer dessa caminhada. Façamos como os Monty Python. Eu faço já a minha parte e ofereço-me para ir atrás de vós, a bater com as metades de côco para simular o galope dos cavalos.

Eu não sou de direita, mas...

Quando o cabecilha deste cartel me pediu que indicasse alguns links para colocar na listagem de blogues que está aqui ao lado, hesitei em sugeri-lo. Não queria que me conotassem com tendências de direita e muito menos que me rotulassem de “porco fascista” – o que seguramente aconteceria, tendo em conta o que conheço dos meus convivas blogueiros.

Mas o post desta manhã fez-me sair do armário: gosto do blogue da Atlântico (http://www.revista-atlantico.blogspot.com/). Posso não concordar com 95% (vá lá... 75%) do que escrevem/dizem/defendem os seus colaboradores, mas gosto deles. Respeito as opiniões e os argumentos que as sustentam, mesmo quando acho que não têm razão. O que é raro em mim.

Mas, acima de tudo, gosto da Atlântico porque é dos poucos contrapesos válidos que a blogosfera nacional tem para equilibrar o predomínio dos opinadores e espaços de esquerda que por aí pululam. E, tendo em conta a vacuidade do discurso que, regra geral, pauta a esquerda cibernética que temos, às vezes dou por mim a espreitar este blogue para ler coisas que realmente me façam pensar. Mesmo que tudo aquilo que pense seja precisamente o contrário do que a Atlântico escreve.

Duas notas:
- para quem não sabe, a Atlântico é uma revista mensal de política, que aposta sobretudo em ensaios, reportagem, opinião... É de direita e o director é o Paulo Pinto Mascarenhas.
- para que conste, a última vez que me dignei a votar, o meu voto foi para o Bloco.

Tuesday, October 10, 2006

Com este texto antigo despeço-me. É um misto de análise com depoimento:

Depressão
O aspecto mais ignóbil de uma depressão é o seu estado de pura subjectividade que não permite ao paciente aceder às condições básicas da comunicação - recepção de códigos compreensíveis pelo interlocutor - em relação ao seu sentir patológico. Quem nunca experimentou não compreende! Sendo a comunicação, em condições de eficiência para os vários interlocutores, o requisito mais elementar para o estar em grupo e em associação com os outros, torna-se natural que, para o deprimido, o destino mais natural seja a exclusão - muitas vezes auto-exclusão - pois todos sentimos a necessidade de partilhar o que sentimos e, não havendo uma compreensão do fenómeno por parte do outro com quem partilhamos esse sentir, o paciente isola-se, na medida em que perde as faculdades que lhe permitem aceder à eficiência da comunicação (compreensão dos códigos por parte do emissor e receptor das mensagens).

Para isso, institucionaliza-se a doença, o que faz com que se crie um corpo de instituições, constituídas por vários especialistas, que permite o reconhecimento e a visibildade social da doença. A doença passa a ter um rosto, o paciente é catalogado e, inserido nesse espaço institucional, passa a ter a identidade de doente mental. Aí, as suas mensagens são codificadas, dissecadas, por forma a que o indivíduo se reconheça na sua nova identidade, pois é-lhe permitido um espaço de comunicação com todo o conjunto de especialistas que o reorientam para um um ponto bem específico do espaço social, o da relação entre médico/paciente, entre analista/analisado.

Esta naturalização institucional, remete-nos para uma das preocupações que orientou o trabalho intelectual de Foucault, a relação que se estabelece entre os saberes e o poder. Ou seja, de uma forma ou de outra, todos estamos submetidos a uma ordem disseminada de poderes/saberes. Em todo o campo institucional há uma ordem discursiva, uma episteme, que sanciona o que é dito e o que não é dito. No campo social da doença, os especialistas conduzem o doente para um discurso que os faz aceitar a sua nova identidade e que, em muitos casos, poderá ser uma identidade para a vida. É desta axiomática magnífica que a psiquiatria se alimenta.

É a vida de muitos que sofrem em silêncio! E um conselho: vivam plenamente as vossas vidas porque na verdade não há pachorra nenhuma para aturar quem padece disto!

Batida em retirada...


Foi o que aconteceu relativamente a muitos bons posts (realmente bons!)...
Desiludido estou, pois quando aqui são colocados sempre achei que se tornavam dos três. Nunca ninguém castrou fosse o que fosse. Quando havia dúvidas, eram discutidas e a decisão era tomada, quando possível, por todos... sinto que a trissomia perdeu o sentido que tinha para mim. Se a minha preocupação fosse apenas as bojardas que aqui coloco, arranjava o meu próprio espaço para me sentir especial...
Suspendo a minha participação neste blog...

Nobel da paz...


Logo no dia em que foi nomeado um Sul-Coreano como o próximo Secretário-Geral da O.N.U., temos conhecimento de uma explosão na Coreia do Norte. Se calhar, por essa razão e de forma a assinalar tão magnífico acontecimento, o regime de Pyongyang, através do seu líder, comandante supremo do exército e da defesa nacional - Kim-Jong Il (como bom vizinho que é), anuncia que o alegado teste nuclear que vinha ameaçando há muito, constituiu um marco histórico na defesa da paz e da estabilidade.
Como acho brilhantes estes argumentos e, embora, só seja anunciado o vencedor no Nobel da paz do ano de 2006 no próximo dia 13... quero já aqui deixar a minha nomeação para o mesmo.
Tal como Kim-Jong Il, também eu matava para ganhar o Nobel da paz!

Monday, October 09, 2006

Melhor número...

Há qualquer coisa no... (queria pôr aqui aquele sonzinh - blip - usado para não ofender as susceptibilidades)! Acho que é o círculo, o continuum, o mistério do infinito... além de que tão lá todos os outros!

Fescenismo

Se procurarmos fescenismo só encontraremos Fernando Assis Pacheco. E os escarninhos bem que são precisos para pôr na ordem os normaizinhos ou, como diria Sepúlveda, aqueles que ostentam tudo sem terem a mínima relação de afecto com os objectos. E aí, os normaizinhos são tão néscios que nem se apercebem e muito menos se questionam. Vergam-se risonhos perante a sua tão idiossincrática inanidade. E agora venham-me lá dizer que o idiossincrático sou eu que apenas me restará o prazer de vos mandar a todos foder!

sem vós teria sido uma agonia

quem o conhecia diz que era um génio:

"Pus-vos a mão um dia sem saber
que tão robusta e certa artilharia
iria pelos anos fora ser
sinal também de lêveda alegria

amigos meus colhões quanto prazer
veio até mim em vossa companhia
a hora que tiver já de morrer
morra feliz por tanta cortesia

adeus irmãos é tempo de ceder
à dura lei que manda arrefecer
o fogo leviano em que eu ardia

camaradas leais do bem foder
o brio a fleuma cumpre agradecer
sem vós teria sido uma agonia"

Fernando Assis Pacheco

ange

Paul Klee - Forgertful angel

"Je vis un ange blanc qui passait sur ma tête;

Son vol éblouissant apaisait la tempête,

Et fasait taire au loin la mer pleine de bruit

-Qu'est-ce que tu viens faire, ange, dans cette nuit?

Luis dis-je. - Il répondit: - je viens prendre ton âme.

Et j'eus peur, car je visque c'était une femme;
Et je lui dis, temblant et lui tendant les bras:
- Que me restera-t-il? car tu t'envolveras
Il ne repondit pas; le ciel que l'ombre assiège
S'étaignait...- Si tu prends mon âme, m'écriai-je,
Où l'emporteras-tu? montre-moi dans quel lieu
Il se taisait toujours - O passant du ciel bleu
Es-tu la mort? lui dis-je, ou bien es-tu la vie?
Et la nuit augmentait sur mon âme ravie,
Et l'ange devint noir, et dit: - Je suis l'amour.
Mais sont front sombre était plus charmant qu le jour,
Et je voyais, dans l'ombre où brillaient ses prunelles,
les astres à travers les plumes de ses ailes"
Victor Hugo


Valéry

Jean Pierre Formica - Hommage a Paul Valéry

"Parfois je pense ; et parfois je suis." - Paul Valéry

Svengali...

"... conseguia ser impertinente de uma forma grosseira. Tinha um estilo de humor cínico que era mais ofensivo do que engraçado e ria sempre da coisa errada, no momento errado, no lugar errado. E a sua gargalhada era sempre derrisória e cheia de malícia."
George du Maurier

Disléxico...

Reparei que era disléxico quando fui a uma cerimónia da Ordem dos Advogados, onde o uso de toga era obrigatório, e fui vestido de... gato!

Saturday, October 07, 2006

O Henrique...

... tem a maior colecção do mundo de conchinhas. Guarda-as em todas as praias do mundo. Se calhar já a viram...

The weight of the words...

As palavras pesam... puxam-nos para baixo. Se os pássaros falassem, não voavam!

Nos estudos...

... quanto mais cedo me deixava ficar para trás, mais tempo tinha para conseguir estar a par da matéria!

Se o olhar matasse...

Deprê!

Cheguei à conclusão de que das poucas vezes em que me encontro num estado a que os outros chamam depressivo, apenas se trata de irritação sem entusiasmo!

"You have cum in your hair and your dick is hanging out!"

Como se pode ver pelo título, uma das suas mais bonitas baladas, esta figura é um notável songwriter (que diabo, há que dar crédito a um autor que assinou uma canção assim)! E, embora nas suas diversas encarnações - Palace, Palace music, Palace songs, ou com o nome de baptismo, Will Oldham, é como Bonnie 'Prince' Billy que lhe edifico um culto de farol da folk intimista e lo-fi agarrada à lenda, assombração bíblica e poeira western.
As palavras, a lentidão com que as canta, a aspereza de cada instrumento... nada mais se consegue descrever, só ouvindo!
I see a darkness...

Deutshe Welle - International weblog awards 2006

E porque temos consciência do nosso valor, com objectivos definidos e traçados, damo-nos a conhecer através da competição profissional. Qual Liga dos Campeões! As condições estão reunidas para nos darmos a conhecer como uma superpotência Europeia e, quiçá, atingir a consagração Mundial, através de todos os PALOP's espalhados por esse mundo fora!
Vamos à conquista, respeitando sempre os adversários e à evolução insuspeita de alguns supostos out-siders que pretendem arrombar o círculo de favoritos e colocar-se em posição de nos baralhar as contas! Não cederemos! Somos um grupo unido, não há cá individualidades (se não contarmos com os nosso alter-egos, duplas e triplas personalidades e esquizofrenias de bolso)!
A causa trissómica terá agora um rearranque! Seremos uma equipa de ataque! Apelo à intervenção mais constante do único peso-pesado (O Gordo!), para que possamos recuperar alguma da maturidade fundamental neste longo percurso que terá como final o apuramento para o pódio! E como eu gosto de troféus!;) A esse regresso, daremos outras garantias com o sempre acréscimo substancial de classe, qualidade e jogo adulto dos restantes!
A abordagem a esta modesta mas não insignificante competição, vai processar-se num ambiente do mais vincado optimismo. E não serão as contigências que nos rodeiam no nosso dia-a-dia (inferioridade númerica por vezes, défice mental e físico - a vulgar tendinite) ou menoridades exibicionais aqui postadas por esta nossa Selecção que nos irá travar!
Erros serão cometidos! Mas só pedimos uma arbitragem justa e imparcial! Quanto ao resto, daremos a volta e faremos o que temos de fazer. Os níveis de motivação estão no alto e os índices anímicos também! Seremos serenos, concentrados e astutos no plano técnico-táctico, porque quem não souber abordar este jogo arrisca-se a sair da competição sem glória e pela porta pequena!
Pensemos post a post! Recomenda-se arte e engenho e sangue frio na concretização! E que isso não nos impeça de elevar a fasquia, louvar a fartura de posts, domesticar os comentários e, sem concessões, tentar a goleada!
A vitória já é nossa!;)
OK, GO AGAIN

A mesma iniciativa prolonga-se... o ginásio já está reservado!
OK, GO

Não, não é pela música. É pela capacidade inventiva na feitura de um videoclip que se alcança o sucesso. A complexa coreografia foi criada pela irmã do vocalista e procura-se, desde já, quem tome o seu lugar e se junte aqui aos três contributores deste blog para recriarmos tão magnifíco momento num só take!
Inscrevam-se, pois aguardam-nos exaustivas audições...
Spin - Giró-disco, toca diferente!

Procuro a minha curta preferida que vi na 2, no programa do género, sobre um olhar entre um casal numa viagem de metro que, devido aos medos citadinos, tão comuns nas grandes cidades, aliada a uma paranóia deliciosa e, enfim... porque ambos se deslocavam para o mesmo local, desencadeia uma perseguição stalkeriana de proporções desmedidas.. quem conhecer, que ajude!

Entretanto, entretenham-se com o que Beck há muito pregava: "Two turntables and a microphone", neste caso "Two turntables and a time machine"! Ah... e God is a DJ!:)

Quem quiser saber mais... http://www.doubleedgefilms.com/

O génio da literatura


Parece estranho olhar para ele e nunca nos determos na singularidade da sua expressão, como se ele estivesse sempre a olhar para nós e, no entanto , estivesse a focar outro ponto, em algo que ninguém mais veria, ou se o visse, seria sempre de uma forma mais abreviada. Porque ele viu um século inteiro, escreveu a obra mais importante do séc. XX e, quando nos vemos adolescentes a pedi-lo na biblioteca, a funcionária franze o olho e repara em nós como excêntricos que o querem ler para desculpar a pretensão do que nunca viremos a ser, ou melhor, do que no fundo ela nunca quer que nós sejamos, porque afinal é um percurso penoso, um percurso para nenhum filho, mas que cabe a um e só um relatar a experiência fatídica e monótona de um século, o século dos funcionários.´
Nota: todos os meus textos de fim de noite são ponderados pela embriaguez, por isso, peço desculpa, ou não...

Wednesday, October 04, 2006

Ground (III)

Joseph Beuys - Tische

O Ground provoca a objectivação do sujeito e não a subjectivação do objecto.

Fim de noite

ler Handke: universo sem coordenadas; sobre A Mulher Canhota e outro, mais adiante...

Política

Bem sei que não tenho por hábito expor aqui as minhas opiniões políticas. Faço-o, sobretuto, porque não gosto de andar a mandar bitaites sobre aquilo que é a posição subalterna da política portuguesa em relação àquilo que se vai passando no mundo, e mais, não tenho por propósito fazer aqui de Saraiva, de Delgado ou de Pereira nem andar a comentar manobras ministeriais e parlamentares bem ao estilo de Clara Ferreira Alves com o seu ar de uma gravidade que anda nos antípodas do seu pensamento.
Há, no entanto, questões amplas que se me colocam e uma delas é perceber até que ponto a direita é séria quando defende a manutenção de determinados costumes ou valores quando é precisamente o seu ideário económico o principal responsável pela erosão desses mesmos valores. Talvez não seja uma questão de seriedade, nem poderemos apontar a Paulo Portas o defeito de ser estúpido, talvez, isso sim, o de ser hipócrita e cínico. Quanto à base social da direita em Portugal, essa reflexão ficará para outro dia.

Tuesday, October 03, 2006

Devoções

O meu amor a estas coisas fez-me andar a perder algum tempo a acrescentar links de editoras portuguesas e de alguns sites de escritores que fui encontrando. Quem quiser que acrescente...Abraço! E alguns posts também não fariam mal a ninguém.

Nota: Os escritores dos referidos sites encontram-se vivos porque como devem compreender é um pouco difícil havê-los de gajos que já estão mais do que mortos...apenas fisicamente, claro!
E aproveito a ocasião para homenagear João Gommer Vilaça cuja obra "Rodopios de um Fósforo Louco" marcou muito ao de leve a minha infância.
Façam-me só uma coisa, não sejam cretinos ao ponto de ir procurar o grande Gommer Vilaça no Google, s.f.f.!

Friday, September 29, 2006

Ground (II)

Juan Miró - Paysage Catalan
O Ground apela mais à emoção do que à formalização abstracta do pensamento

A importância da análise externa

Vamos logo ao que importa. O que se impunha nas questões levantadas aqui e aqui é que existisse um Bourdieu que fizesse uma espécie de "As Regras da Arte" do meio literário português. Um Pierre Bourdieu, repito, e não um João Pedro George que quando foi ao programa do Francisco José Viegas mostrou-se claramente confuso e titubeante quando teve de explicar do que trata realmente a sociologia da literatura. Porém, no meio de tanta hesitação ainda conseguiu criticar (brilhante, João!) o conceito de campo que, por definição, tem um alcance heurístico vastíssimo.
E o propósito de estar a evocar para esta questão um sociólogo e não um crítico literário prende-se com duas ordens de razões:
1 - Bourdieu utilizou o conceito de campo e de "habitus" (as disposições dos actores a partir da posição que ocupam num determinado campo social, seja ele económico, cultural ou político) de modo a analisar as regras do jogo dentro de um determinado campo social, neste caso concreto, o literário;
2 - Bourdieu ao fazer uma análise externa da criação das obras literárias em França desmistificou a ideia do génio criador (o que não é claramente o caso de LMR), realçando, e enuncio aqui em termos básicos, que a emergência de uma obra ou de um autor é toda ela determinada por condições externas à obra e que se trata, antes do mais, de um jogo de forças levado a cabo pelos actores situados dentro de um determinado campo social de modo a colocar-se um autor no centro ou na periferia desse mesmo campo. Como se pode depreender facilmente, este tipo de pensamento causou mau estar nos meios ligados à criação e à cultura em França, pois foi precisamente colocar em causa tudo aquilo que conferiu ao longo dos tempos um estatuto de excepção aos artistas e escritores, a saber, a aura que lhes era conferida pelo génio da obra.
Assim sendo, e querendo ser muito breve, volto a reiterar que relativamente à obra de Luís Miguel Rocha, o que se impunha não era de facto um esclarecimento sobre o valor da obra em si, a verdade incómoda que este tanto faz gala em anunciar, mas sim, uma análise externa que nos permitisse perceber quais são as "forças" e os jogos de "forças" que permitem que aquilo que deveria estar na periferia, de novo Luís Miguel Rocha, passe assim de repente para o centro do campo. A presença na apresentação do livro de uma figura tão proeminente do meio literário e dos meios de comunicção social portugueses como o é Francisco José Viegas (e eu que tanto te admiro!) é bastante elucidativa e esclarecedora relativamente àquilo que quero dizer e, assim sendo, faz-nos perceber que um campo, o literário, vai buscar uma figura central de dois campos, o literário e o mediático, para conferir qualidade (o que duvido) e visibilidade (o verdadeiro propósito da coisa) a um livro que não andará muito longe do horizonte de Jean Baudrillard quando este se refere aos livros de supermercado numa das suas obras capitais, A Sociedade de Consumo. Todas as questões aqui levantadas importariam ser analisadas para que daí fosse possível sinalizar e compreender todo o esforço de bastidores que de certeza foi levado a cabo por LMR para que do nada já surja com a aura, que no caso dele é pérfida, de escritor. E digo tudo isto para homenagear Bourdieu e para que não nos esqueçamos que " La sociologie est un sport de combat".

O Ground


Willi Baumeister - Formen auf blauem Grund
O Ground é o fundamento essencial da cultura contemporânea, pois é o que atribui sentido à figura.

Thursday, September 28, 2006

Esteves Certo - O monotone

Steven Wright... o seu ar, sério, sem emoção, a voz lenta, de tom monocórdico e volume no mínimo, aliada a uma mente confusa, absurda, irónica e paradoxal, fazem dele o meu mestre humorístico. Para quem possa ter dificuldades em reconhecer a voz que tão bem descreve o seu estado de espírito, basta lembrar o frete que fazia DJ K-Billy, na rádio, em Cães Danados.
Um humor que surge das traições da linguagem, do non-sense, one-liners e das questões do dia-a-dia que o assaltam e que resultam em atordoadas epifanias depressivas.
Aconselho o único álbum que editou, em 1985, de stand-up comedy, "I have a pony" ou o seu especial para a HBO, caso prefiram vê-lo, a ouvi-lo. Ando a ver se descubro a sua oscarizada curta "The appointments of Dennis Jennings". De resto, é ir descobrindo as suas pequenas, mas sempre inesquecíveis, participações em diversos programas televisivos. Vejam-no, em desenhos animados, como mais um desiquilibrado paciente do Dr. Katz.
Pura perfeição cómica de alguém que insiste que: "Não tenho ideia nenhuma do que estou para aqui a falar". Ora leiam lá o delírio:
- I saw a close friend of mine the other day... He said, "Stephen, why havent you called me?" I said, "I can't call everyone I want. My new phone has no five on it." He said, "How long have you had it?" I said, "I don't know... my calendar has no sevens on it."
- When I woke up this morning my girlfriend asked me: "Did you sleep good?" I said: "No, i made a few mistakes."
- If you can't hear me, it's because i'm in parentheses.
- Right now i'm having amnesia and deja-vu at the same time. I think i've forgotten this before.
- I saw a subliminal advertising executive, but only for a second.
- For sale: Parachute. Only used once, never opened, small stain.

Wednesday, September 27, 2006

Saúdam-se os regressos...


Um já aqui foi divulgado, mas não queria deixar de me associar ao mesmo visto tratar-se da minha banda preferida... que está de volta! E regressará igualmente ao nosso país em Dezembro. Estarei lá, concerteza!
Quanto ao segundo, é o favorito em termos de pintura... o grito regressa hoje ao Museu Munch! Depois de larapiado e vilipendiado, não se aguenta mais numa parede e terá que ser apreciado na horizontal até à sua recuperação.
É nestas alturas que me sinto estacionado na diagonal num universo paralelo...

Que desastre!


Uma equipa que perde contra outra que tem este homem quase que a assumir-se como "il regista" daquele meio-campo só pode ser considerada uma autêntica fraude. Este Man United é uma verdadeira banalidade, apenas tendo por trás o peso da sua marca: imaginem então o valor do sempre "glorioso"!!!!!!! Alguém ainda terá coragem e senso para colar tal epíteto àquela vergonha de clube? E a tão aguardada e anunciada vitória na Liga dos Campeões, senhor LFV?

Eles estão de volta

Tuesday, September 26, 2006

B-Sides



Passei a tarde a "sacar" e a ouvir compulsivamente (não aquela coisa dos transtornos maníacos) os "B-Sides" dos Arcade Fire e devo dizer que fiquei completamente siderado. Com cada preciosidade musical, meu Deus (esta era escusada, logo eu que faria tão bem o papel de Robespierre a ordenar guilhotina a tudo o que é mente sacra)! Virgin Mary Highway, por exemplo, é uma peça para a eternidade da beleza melancólica que tanto prezo (We've both felt love before even if we deny it/That familiar feeling of believing that we'll die without it/Be we never do, well not completely). E é sempre aprazível sentir o charme da Régine Chassagne a entrar-nos pela casa dentro.
De resto, só espero que um DJ Vajaina qualquer não se lembre agora de vir fazer uma remistura, assim género daquelas pós-modernices manhosas que só os génios alcançam, com umas pitadas de Reggae e com um afro-muçulmano a recitar passagens do Corão. É que para fenómenos merdosos já me chegam aqueles fashion-alternativos que duram assim uns dois meses e após isso já nem na boca dos seus mediadores alcançam qualquer ovação - porque isto de música tem prazos, estão a ver.

No Blogue de Marias


Isto vem no blogue de Javier Marias, de quem sou confesso admirador pela escrita sofisticada, elegante e fascinantemente cosmopolita:
Empecemos a pronunciar más este nombre. Si algún autor del idioma ganará pronto el Nobel, ése es Javier Marías. No puede ser de otro modo. Nadie más dentro de la literatura en castellano tiene hoy su impacto internacional. El boom es cosa vieja. Marías arrasó en Europa durante los años noventa y aun hoy perdura. Los alemanes lo adoran, y los alemanes saben. Nadie protestaría si él ganara. Nadie, salvo nosotros, su idioma. Dentro de nuestra literatura rara vez se perdona el éxito, y Marías ha triunfado. Ya se le trata como a un autor “comercial” cuando es, en rigor, otra cosa: uno de los tres o cuatro escritores que sostienen victorioso a nuestro idioma. Si se le siguiera leyendo como antes, esto se sabría: Marías no sólo persiste, mejora. Su último proyecto narrativo, Tu rostro mañana, es casi inverosímil: una trilogía apenas móvil, tres extensas y hermosas novelas que ocurren menos en la trama que en el lenguaje. Podría pasar, con suerte, esa injusticia: que ganara antes el Nobel que el Cervantes.
RAFAEL LEMUS Ensayista y crítico literario. Director Editorial de Cuaderno Salmón.
Acrescento: que venha o Nobel para o escritor mais envolvente no que toca à reflexão sobre os aspectos mais obscuros e densos de cada ser humano. O detalhe em Marias ganha expressão universal. A Espanha bem que merece um escritor com tamanha dimensão.
Nota: Ando a ler "O Homem Sentimental" (Dom Quixote) e tenho-me demorado tanto naquelas cerca de 140 páginas. É o terrível medo de ficar orfão daquela escrita. Há coisas que o fim produz amplamente o desconforto da nostálgia, outras não, esquecem-se.

Monday, September 25, 2006

Patrick Wolf - Accident And Emergency

Finalmente, o novo single. E o site renovado.

Sunday, September 24, 2006

Arcade Fire - No Cars Go

Eu não tenho palavras para isto. Eles são definitivamente a minha banda do momento. A vida só vale a pena ser vivida quando existe alguém que realmente marque a diferença. Urge fugir deste lugarzinho inóspito, sufocante e preconceituoso. E a indumentária delas é do melhor...a amiga Cati com a sua magnífica voz, aquela que em tempos foi a minha Simone de Beauvoir, enquadrar-se-ia aqui na perfeição. Como estou saudoso dos nossos momentos loucos! Eras e és mulher de dimensões etéreas.
A dinâmica em palco é absolutamente única!

Saturday, September 23, 2006

O meu Outono começa...


It's time to end my holiday and bid the country a hasty farewell.
So on this gray and melancholy day, i'll move to a Manhattan hotel.
I'll dispose of my rose-colored chattels and prepare for my share of adventures and battles, here on the twenty-seventh floor looking down on the city I hate and adore!
Autumn in New York, why does it seem so inviting?
Autumn in New York, it spells the thrill of first-nighting.
Glittering crowds and shimmering clouds in canyons of steel, they're making me feel i'm home.
It's autumn in New York that brings the promise of new love.
Autumn in New York is often mingled with pain.
Dreamers with empty hands may sigh for exotic lands
It's autumn in New York. It's good to live again.

Billie Holiday

Thursday, September 21, 2006

Álbum de Família


Um exercício porreiro aquele que a Radar está a fazer, no seu blogue, em conjunto com os ouvintes: escolher qual o melhor dos 50 álbuns já emitidos na rubrica “Álbum de Família”.

Já lá deixei os meus votos quanto aos cinco melhores álbuns emitidos e as propostas para álbuns que ainda não foram contemplados pelo programa.

Sugiro-vos que façam o mesmo. Ás vezes sabe bem armarmo-nos em clones do John Cusack (ou do Nick Hornby, como preferirem) e organizar pequenas parcelas da nossa vida em rankings de cinco lugares.

A votação está a decorrer aqui: http://blogradar.blogspot.com/

Wednesday, September 20, 2006

Viagens

O vetusto Mayol, senhor catalão, vê-se sozinho e abandonado. Personagem de grande dignidade, faz a sua viagem vertical e, vingando-se do filho, imerge, por fim, como a mítica Atlântida descrita no Timeu de Platão.

Tuesday, September 19, 2006

Esclarecimento

Sim, bem se podem queixar que este "blog" é de uma incongruência temática que roça a mais aguda boçalidade. Mas é para isso que cá andamos e, para provar que a nossa linha editorial não é para levar assim muito a sério, para breve, estamos a pensar deixar aqui patente uma exposição fotográfica de pilinhas. L'art pour l'art, meus amigos...

efeitos secundários após uma valente noitada a ca...ril

Thursday, September 14, 2006

e este fiasco de gente, que não tem outro nome...

acha que, agora, é moda pôr a ridículo o Dr. Soares. Mas, sempre admirei o seu ar bonacheirão de quem se está perfeitamente a marimbar para esta gente. O que é que eles queriam, que o homem seguisse as ideias simples, simplórias de quem põe o mundo a fogo é que defende a natureza humana? se é que ela existe, ou melhor, a existir, está nos compêndios César das Neves para quem o mundo se resume à máxima de que "não há almoços grátis".

O ser anti-americano

De ambos os lados existem posições ridículas, porém, temos sempre de pender para um lado e, neste caso, defender o exemplo de democracia que vigora no Iraque, como se para haver democracia não fossem necessárias condições culturais e de mentalidades para isso - sim, qualquer manual de ciência política que se preze defende por princípio que as democracias florescem sobretudo em sociedades tribais e não em sociedades em que houve a consolidação de valores assentes no individualismo racionalista. Mas enfim, achar Bush um idiota é sinónimo de ser anti-americano, assim como Paul Auster o é, por colocar esse rancheiro ainda num patamar mais elevado de cretinice.

Sobre os intelectuais muçulmanos

O Dr. Yiossuf M. Adamgy até pode ter ideias ridículas, como foi o caso, mas daí a colocar aspas nas sua condição de intelectual vai uma grande distância.

E como...

estou a ficar assim um pouco inteligente demais para o meu gosto, assim ao jeito de província, retiro-me e...não digo mais nada até amanhã.

ai

E qual seria a opinião desses neo-liberais ou neoconservadores, ou que raio é, de conveniência que existem em Portugal, antes da queda do Muro? O derrube, claro, com a douta opinião que teríamos chegado ao fim da História. Esfíngica sociedade do bem-estar e da esquizofrenia.

blasfémia, se ainda fossem capazes...

O dr. Pacheco Pereira, essa empresa de opinião, embora não goste assim muito de futebol, fez-se acompanhar de claque enquanto falou. Assumiu como bandeira uma mulher marreca que elevou o estandarte em nome de algo tão insofismável como um blogue de nome a blasfésmia, o qual, fez questão de transmitir para este mundo pequenino que iria levar para lá o seu enlevo, sempre e sempre medíocre. Com o inconveniente, claro, de estar presente uma comitiva de intelectuais que faz rir a malta blasfémica, só e apenas só, por não ter a perna esticada na frequência redutora dessa capital de distrito que é Lisboa. Basta existir alguém que frequente o cabeleireiro ao lado e eles não convêm, não admitem e, enfim, não suportam, porque, afinal, está um mundo tão largo ali mesmo ao lado. É esta a merda de intelectuais que temos em Portugal. Porque os verdadeiros não existem, disse!...nem aparecem
beijinhos

Wednesday, September 13, 2006

Frase

«Nós ganhámos a uma grande equipa porque somos uma grande equipa». Marco Caneira, lateral do Sporting que, segundo um amigo meu benfiquista, não sabe atacar. Ora toma lá, Nuno!

Estatísticas

meio-campo com uma média de 21 anos de idade controla o jogo durante 90 minutos sem se deixar intimidar com o colossal "peso" do meio-campo adversário.

Tuesday, September 12, 2006

A minha nova desigualdade

A Nova Era das Desigualdades (referência ao livro de Fitoussi e Rosanvallon, por uma questão de honestidade intelectual, obviamente... n me venham agora dizer que estou armado em pseudo) faz-nos perceber que os indicadores clássicos da desigualdade já não bastam para explicar o cada vez mais complexo e, afinal, sempre o mesmo fenómeno da exclusão social. As causas e as origens são mais difusas. Mas do que estes autores se esqueceram foi da referência a exemplos televisivos que, no meu caso, fazem perceber o verdadeiro sentido hodierno da exclusão. É ver blogue de toda a gaja e gajo que passam por inteligentes, de gaja e gajo que são inteligentes de uma maneira muito muito fashion, de gaja e gajo que são inteligentes de uma maneira muito muito cool e está encerrado o meu auto-case-study.
É que não sendo um gajo assim muito regular na personalidade, nunca tive, não posso ter, nem nunca virei a ter a propensão para ver séries televisivas, mais em concreto, aquelas que em determinados circulos conferem uma aura de super-cool-boy-or-girl a quem as cita, a quem faz questão de afirmar que as vê, a quem faz questão de fazer notar a idiossincrassia da personagem A ou B, a quem com exagerado garbo relembra uma situação do último episódio, senão mesmo a sequência literal de um diálogo, e se for em inglês, tanto melhor. Um fenómeno que anda um pouco à semelhança da geração anterior, citadora de Barthes em francês, e que o nosso grande Cardoso Pires caricaturou tão bem numa personagem d'Alexandra Alpha que até sonetos do Camões citava na língua de Baudelaire e de Balzac. Face a estes novos critérios na abordagem do que é a integração na "boa cultura", e que passam por indicadores como ver ou não ver "Donas de Casa Desesperadas", "O Sexo e a Cidade", "Sete Palmos de Terra", isto para mencionar as mais conhecidas, vejo-me na contigência de passar por estúpido, néscio e sei lá mais o quê, por não acompanhar as tão interessantes conversas sobre a gaja rica, bem posicionada na vida e desprendida sexualmente que andava a comer um gajo podre de bom, ainda por cima com dinheiro, só que com um senão, por azar, o gajo tinha uma pilinha muito, mas mesmo muito pequenina. Enfim...depois não se queixem se vos disserem que sou um gajo muito calado e tal...

Monday, September 11, 2006

Sobre as ditas conspirações...

Brilhante!

9|11 - conspiração Naudet

Depois de ter visto o documentário de Jules e Gedeon Naudet, que passou esta madrugada na Sic Notícias, fiquei com a sensação reforçada que há tipos com muita sorte no mundo. É que começar a fazer um documentário sobre um bombeiro principiante de Nova Iorque e acabar por documentar um dos episódios mais trágicos da História dos Estados Unidos é sinónimo de ter a reforma garantida ainda antes dos 30 anos. Fosse eu mais dado a teorias da conspiração e escreveria um livro a defender a estúpida tese de que foram os prosaicos irmãos Naudet a congeminar o atentado de 11 de Setembro. Como não o sou, deixo esse tipo de reflexões elevadíssimas para os intervenientes do programa "Opinão Pública".

O triunfo do estrabismo!


Na edição de hoje d’A BOLA, e a propósito da reportagem sobre o folgado triunfo (4-1) do Portimonense na deslocação ao terreno do rival Olhanense, lê-se o seguinte ante-título: “Visão de Diamantino vence clássico”.

Só posso deduzir que quem escreveu isto não sabe que o homem é estrábico... :-)

A minha homenagem...

Nani


Um blogue com três sportinguistas e são necessárias 38 horas para que alguém te faça uma homenagem!

Perdoa-lhes, Nani, que eles não sabem o que fazem...

Saturday, September 09, 2006

... e assado...

Fazendo parte do trio, não quis deixar de meter a pua. Como não sou jornalista, imparcialidade não quis nada comigo. Mas devido a padrecos moralistas (FP e sua veia Estalinista), com más experiências de tricas de comadres e onde o universo gira em torno dele, sofri uma censura atroz e esta tem que ser exposta!

Calo-me, então, por respeito ao provedor deste blog! Mas ninguém me tira as piadas cretinas!

E sobre o assunto, apenas posso escrever que enquanto lia as vossas diatribes, ouvia a abertura do Guilherme Tell. E pus-me a pensar... qual dos dois intelectuais é o Lone Ranger?

é assim...

como tenho vindo a servir de mediador na querela quase assassina que se instalou neste espaço, vejo-me na obrigação, pelo apreço que nutro por estes dois verdadeiros "gladiadores", de afirmar sem quaisquer reservas a minha total neutralidade relativamente à polémica em causa. Contudo, não resisto a uma piada cretina, deixando a sugestão que a vossa Guerra Púnica fique conhecida, não como a Primeira, não como a Segunda, mas sim como a Guerra "Tom vs Contéudo". Minudências, meu rapazes.

Friday, September 08, 2006

Carta aberta a um intelectual

Caro Alexandre Nunes Oliveira,

Antes de mais, gostaria começar esta carta com quatro notas prévias:

1) dou-me ao trabalho de escrever-te apenas pelo facto de te saber amigo de uma pessoa por quem tenho grande estima e consideração. Não fosse esse o caso, garanto-te que o tom inflamado da tua resposta não me mereceria qualquer tipo de comentário, tamanha é a disparidade de registo entre o que ambos escrevemos;

2) o facto de te escrever não tem por base o desejo de alimentar qualquer tipo de polémica: não tenho tempo, vontade ou disponibilidade mental para esgrimir retóricas. Por isso, após o envio desta carta, darei por encerrado qualquer tipo de argumentação sobre este episódio;

3) perante a contundência dos teus comentários, senti-me no direito de – para além de te enviar esta carta – publicar a minha resposta no blogue. Numa primeira fase, tinha dito que iria tratar o assunto em privado, mas o tom insultuoso com que me interpelaste fez-me mudar de ideias;

4) a acentuação que usaste por duas vezes na palavra conteúdo está incorrecta: escreve-se “conteúdo” e não “contéudo”. Se achares que esta falta de preciosismo faz de ti um ignaro, devolvo-te o rótulo. Se a entenderes apenas como um mero lapso, então aqui fica a correcção;

Posto isto, vamos então ao que interessa...

O ‘post’ intitulado «A dimensão cósmica da minha ignorância» teve por base dois princípios: o primeiro, como poderás confirmar pelo título e pelo que escrevi ao longo do texto, foi a simples constatação da minha ignorância quanto às virtudes do cinema contemporâneo russo; o segundo, foi ‘brincar’ com aquilo que considero ser um mau trabalho jornalístico.

Quanto ao primeiro ponto, creio que não há muito a dizer. Ou seja, eu (o ignaro), não conheço o cinema russo da actualidade e fiz uma tentativa de iniciar-me na matéria através da leitura da tua entrevista a Sokurov. Posteriormente, eu (o mesmo ignaro) cheguei à conclusão de que a leitura da tua entrevista não seria a melhor das portas de entrada para conhecer o homem, o realizador e a obra. Subsequentemente, eu (ainda e sempre o ignaro), decidi relatar a história do meu insucesso. Parece-me pacífico...

No que respeita ao segundo ponto, reconheço que o meu texto possa não ter sido suficientemente claro para transmitir a ideia que esteve na génese da paródia à entrada que antecede a tua entrevista. Porque, de facto, faltou-me explicar que, na minha opinião, a elaborada prosa com que nos presenteias antes de debitar a primeira pergunta é, no fundo, e jornalisticamente falando, uma valente merda. E digo jornalisticamente falando, porque tu apresentas e defendes o texto como “um artigo”. Assim sendo, é dessa forma que ele deve ser avaliado.

E porque é que eu digo, então, que aquilo é uma valente merda? Porque o registo desmesuradamente elogioso que pauta o texto, coloca imediatamente de parte, um a um, todos os princípios de isenção, rigor, distanciamento e imparcialidade que devem reger não só a escrita de um texto jornalístico, mas também a relação de um entrevistador com o seu entrevistado.

No panorama jornalístico este é, de resto, um problema cada vez mais comum. Mas a verdade é que o fenómeno tem sempre tendência a agravar-se exponencialmente na esfera do ‘jornalismo cultural’. Há quem diga que isso se prende com o facto de os jornalistas de cultura serem, no fundo, potenciais artistas que nunca conseguiram livrar-se do estigma e da frustração de nada terem feito em prol da arte. Consequência: vingam-se nos artigos que escrevem, entretendo-se em prolongados exercícios pseudo-literários e massacrando os leitores com demonstrações de habilidade absolutamente parolas.

É raro, por exemplo, ler um artigo sobre um concerto, um filme ou uma exposição que não tenha por eixo aquilo que o jornalista “acha”. E, pior, depois de o jornalista “achar”, entretém-se a divagar sobre o porque é que ele “acha” e a justificar o porquê de “achar” isso. Mete-se pelo meio aquilo que os outros – os “especialistas” – acham, contextualiza-se todo este “achismo” numa determinada corrente, compara-se com os que pertencem a essa corrente ou a outras correntes, diz-se o que é que se “acha” disso e... pronto! Está feita a peça...

E isso, meu caro, é triste. Primeiro, porque quem compra um jornal deve ter direito a formular a sua opinião com base em informação factual e não em informação subjectiva. Segundo, porque informação e opinião devem ser coisas perfeitamente distintas e como tal assinaladas, para não enganar quem lê. Terceiro, porque infelizmente a esmagadora maioria dos nossos ‘jornalistas de cultura’ não consegue tirar os olhos do umbigo ou escrever para além do círculo de leitores formado pelas tertúlias que frequenta.

É nesse âmbito que eu não posso deixar de considerar hilariante a leitura de frases como «superior estilista do cinema contemporâneo», «demiurgo de uma experiência filmíca totalmente inovadora, mesmo nos círculos mais alternativos», ou «personalidade única e absolutamente singular, autor de um cinema contemplativo, filosófico, profético e de autênticas dimensões cósmicas». Jornalisticamente falando, pior do que ler isto, só mesmo o facto de colocares estas frases na boca de «especialistas» que nem te dignas a identificar.

Feita esta (longa) exposição sobre os motivos que me levaram a brincar com a tua entrevista, coíbo-me de aprofundar quaisquer considerações acerca da tua lamentável dissertação sobre as idiossincrasias do Portugal medíocre e dos pobres coitados que o habitam. Quem se arroga o direito de se colocar num patamar de superioridade intelectual e de julgar os restantes como pessoas que devem “instruir-se e elevar-se mais” não merece mais do que um sorriso misericordioso como resposta.

Thursday, September 07, 2006

E já que falas em jornalismo...


... atrevo-me a sugerir a leitura de um artigo muito interessante e já bastante comentado no universo jornalístico. “Who Killed The Newspaper” é um trabalho publicado no final de Agosto na revista The Economist, sobre o futuro (ou a inexistência dele) da imprensa.

Eis os links:

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=7830218

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=7827135

Acredito que a minha avaliação à qualidade e pertinência destes artigos possa ser, sobretudo, fruto de uma espécie de deformação profissional. Mas de certeza que é uma boa sugestão de leitura para quem se interessa pelo sector da imprensa, nem que seja apenas na óptica do consumidor de jornais.

Já que me referi à Clarinha...

lembrei-me de uma passagem deliciosa do "Tratado do Estilo" de Louis Aragon - livro renegado pelo próprio, imagine-se - acerca dos jornalistas. Não é que a dita o seja, mas faz de conta, pois é a forma mais rápida de enquadrá-la biograficamente (escritora não é; como literata, está para Virginia Woolf como o Eduardo Madeira e o Nilton estão para o Woody Allen; aparece na televisão, logo existe: como te enganaste Descartes. Actualmente, há a TV, logo não é necessário pensar).
Mas deixemos de falar de gente foleira e vamos ao que interessa. Dizia Aragon algo que se mantém muito actual e que até poderia causar nós no estômago da referida, caso ela o lesse: «Declaro portanto ser possível apertar a mão a um jornalista. Com certas reservas, obviamente. Lavar-se uma pessoa logo a seguir, e não só a mão contaminada, mas também as restantes zonas do corpo, em especial as partes sexuais, visto não saber ainda muito bem como envenena o jornalista as vitimas e por isso paira a incerteza quanto à possibilidade de ele expandir por todos os poros da pele ou da roupa uma espécie de peçonha volátil e singularmente pestilenta detentora de extraordinária aptidão para se alojar nas rugas flexoras, e até nas mais dissimuladas pelo hábito e pela decência». Por aqui se pode constatar que já no ano 1928, data da publicação do "Tratado" pela Gallimard, havia uma insuspeita clarividência no que concerne as estas questões. E quanto a escritores malditos, por cá, o que se aproxima mais do epíteto é um tal de Luiz Pacheco cuja última informação recolhida foi a de que estava asilado num lar de idosos e, se já morreu, eu não soube porque estes, por certo, não ganham as honras de Panteão destinadas às celebridades produzidas pelo nosso tão criterioso sistema político e cultural.

Thom Yorke


Gosto de Thom Yorke.

A música do homem deprime-me, é certo, mas gosto. Poucas vozes conseguem transmitir-me simultaneamente, e no mesmo sussurro, calma, angústia, candura, raiva, paz de espírito e inquietude.

Escrevo isto porque a estreia do homem a solo – no álbum The Eraser – tem sido a banda sonora da minha vida ao longo das últimas semanas. Com uma faixa em particular, “Black Swan”, a ‘encalhar’ insistentemente no repeat.

Black Swan

What will grow quickly, that you can't make straight
It's the price you gotta pay
Do yourself a favour and pack you bags
Buy a ticket and get on the train Buy a ticket and get on the train

Cause this is fucked up, fucked up
Cause this is fucked up, fucked up

People get crushed like biscuit crumbs
And laid down in the bed you made
You have tried your best to please everyone
But it just isn't happening
No, it just isn't happening

And it's fucked up, fucked up
And this is fucked up, fucked up
This your blind spot, blind spot
It should be obvious, but it's not.
But it isn't, but it isn't

You cannot kickstart a dead horse
You just crush yourself and walk away
I don't care what the future holds
Cause I'm right here in your arms today
With your fingers you can touch me

I'm your black swan, black swan
But I made it to the top, made it to the top

This is fucked up, fucked up
You are fucked up, fucked up

This is fucked up, fucked up
Be your black swan, black swan I'm for spare parts, broken up

PS: Digamos que é uma música que me eleva a alma a dimensões cósmicas... :-)

Acerca do meu ùltimo "post"

Fica a promessa que, no futuro, entrarei numa linha meticulosamente pop e, assim sendo, procurarei produzir exultantes panegíricos a tudo o que esteja em relação directa ou indirecta com as actividades das Produções Fícticias, com os livros do Eduardo Madeira e, por que não, com o livro "Óculos Azuis" do Nilton. Farei a barba a reflectir sobre as doutas opiniões da nossa Clarinha Ferreira Alves e juro, mas juro mesmo, que não perderei uma única linha da sua frívola Pluma Caprichosa, nem do seu último romance que está em forma de esboço desde os anos 80. Com todas estas referências, escusado será dizer que não haverá nenhum motivo que me faça parar ou abrandar na compulsão destas destemidas leituras. Será mais sensato fazê-lo quando "As Metásteses do Gozo" de Slavoj Zizec for editado pela Relógio d'Água. Aí sim, todas as razões serão plausíveis para parar, abrandar ou bater em retirada assim que estabeleça uma relação visual com o título, não vá eu ficar com um olho estrábico.

Wednesday, September 06, 2006

A dimensão cósmica da minha ignorância

Bem sei que raramente cá venho. Mas acreditem que sigo com grande atenção os escritos dos meus colegas de blog. E, por conseguinte, as pistas, recomendações, sugestões, críticas ou análises por eles aqui expressas constituem-se frequentemente como uma espécie de ‘guia’ para ler, ver, ouvir, conhecer ou explorar. O respeito que tenho pelas suas opiniões e a amizade que sinto por eles faz-me acreditar quase cegamente que vou, à partida, apreciar o que me aconselham.

O exemplo mais recente foi a sugestão que consta no post anterior: uma entrevista de Alexandre Nunes Oliveira a Alexander Sokurov, de quem se diz ser o mais importante cineasta russo da actualidade. Um facto que eu desconhecia e que, portanto, motivou a ‘necessidade’ de preencher esta lacuna na minha cultura geral.

Mas... fracassei. Sim, confesso que fracassei. A simples leitura da entrada que antecede a entrevista propriamente dita fez-me recuar na intenção. Peço desculpa, mas não consigo...

Enquadrar mentalmente o conceito de «superior estilista do cinema contemporâneo» foi, digamos assim, um exercício acessível. Quem está habituado a folhear os suplementos de cultura dos diários generalistas depara-se frequentemente com estas coisas e habitua-se. “Siga”, pensei eu...Uns quantos caracteres a seguir, no entanto, o grau de exigência eleva-se e atira-nos, de forma rude com um «demiurgo de uma experiência filmíca totalmente inovadora, mesmo nos círculos mais alternativos»... Uff... Ora deixa cá ver... “demiurgo”... ok... “experiência fílmica”... ok... Contextualizam-se os elogios... percebe-se a lógica laudatória... arregaçam-se as mangas e preparamo-nos para começar a ler a entrevista.

Eis senão quando nos surge um impiedoso «personalidade única e absolutamente singular, autor de um cinema contemplativo, filosófico, profético e de autênticas dimensões cósmicas». Cinema de ”autênticas dimensões cósmicas”?!?! Desisti... Até conseguir perceber se isto é uma masturbação ao ego do entrevistado ou se é uma masturbação ao ego do entrevistador, em forma de delírio literário, não serei capaz de avançar para a leitura da entrevista.

Tuesday, September 05, 2006

Cinema

Entrevista a Sokurov por Alexandre Nunes Oliveira, essa criatura intratável e de péssima fama. Fiz esta ligação tarde, mas vale sempre a pena. Considerações sobre a arte, a literatura, o cinema, e o vínculo necessário e sempre actual que se estabelece entre o criador e a cultura humanista. Para ler!

Sunday, September 03, 2006

Prazeres da vida...


Sou gajo pa cagar em muitas cenas... num tou pa me chatear... mas nunca pensei que pudesse ser assim!

Saturday, September 02, 2006

Uma cópia... dum ponto final... para dar mais a conhecer...


"Acabou O Independente. Nos seus tempos de glória, quando Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas lideravam o semanário, a IF era por lá considerada o melhor programa da rádio portuguesa. A certa altura... publicam uma página inteira de publicidade completamente gratuita à Íntima Fracção ! O anúncio (uma foto com um miúdo de costas, no meio da noite, frente a um posto fronteiriço) foi das mais belas imagens criadas sobre a IF. Nunca soube de quem foi a ideia. Obrigado Indy ! É estranho o fim deste jornal." In Íntima...

Friday, September 01, 2006

E sete anos depois... Chill out...


É estranho como uns gajos de Inglaterra constroem o seu meio musical de transporte para o sul dos Estados Unidos, ao invés do campo britânico como o fez Astley. Ainda para mais, gravado ao vivo, sem cortes, num take.
Talvez fosse essa a sua trip, fugir sem parar para o oeste, num comboio para o deserto, ao som de uma pedal steel guitar, enquanto o padre prega: "Get ready... all the way down the east coast... come back fat as a rat"!
De KLF Trancentral studio apanho boleia pós states...

No verão... de jardins donde nos sentimos seguros ouvimos...

Virginia Astley
11 anos depois de ouvir pela primeira vez... 23 depois da sua campestre construção ambiental... chegou a minha edição especial!
Desde que me tornei pirata, só cedo às pressões da indústria fonográfica quando surge um álbum que considero digno de uma colecção e que exista numa edição diferente. Procurava a original e não a sua reedição. A da capa com textura e não da imagem presa num quadrado de plástico. A diferença, tal como ela existe no próprio álbum, por ter sido gravado na época do auge pós-punk. Claramente à frente do seu tempo, ignorado na altura, algo que não aconteceria nos tempos de hoje. Instrumental como os ambientes de Eno, mas melódico de mais, o que o afasta destes.
Quanto aos sons, a mistura da natureza com delicados pianos e flautas pastorais, fazem-me perder pelo campo...

ainda haverá subversão?

Não! Estes senhores que estão a ver na imagem foram aqueles que desafiaram a lei do tempo, do tempinho seguro, do conforto e da monotonia burguesas. Desafiaram costumes retrógados e hipócritas, iniciaram o movimento contracultural nos Estados Unidos. A sua vida confunde-se com a obra e o inverso também acontece. Estes senhores, apesar da desgraça em que cairam Kerouac e Burroughs, foram sinónimo de integridade no plano da obra e, como tal, emana das suas palavras uma força invulgar. Uma força que adveio de uma raiva incontida pela vida, talvez uma antropologia nietzschiana como numa das personagens de Kerouac.
Mas pergunto, ainda haverá subversão? A resposta é certamente não, pois a obra destes senhores não constituiu, seguramente, uma forma de marketing para atrair novos nichos de mercado. Se é que querem perceber onde quero chegar.
HUM BOMB? LEBANON 2006 feat. Allen Ginsberg